Intervenções receberam recursos federais em março e já foram contratadas; juntas, têm R$ 7,3 milhões em valores licitados e deveriam ser concluídas até o fim de setembro, segundo as informações da lista de obras da Prefeitura
Das 27 obras de reconstrução e restabelecimento atualmente listadas pela Prefeitura de Ubá em sua plataforma de acompanhamento, três ainda não começaram. As intervenções já receberam recursos do governo federal, foram licitadas e têm empresas contratadas, mas permanecem classificadas pelo município como “não iniciadas”, apesar de os contratos estarem próximos do fim da vigência.
As três obras tiveram recursos autorizados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio de portarias publicadas no fim de março, após as enchentes que atingiram Ubá em fevereiro. Juntas, elas somam R$ 9,07 milhões em recursos federais previstos e R$ 7,3 milhões em valores licitados.
O cronograma é apertado. As três intervenções têm previsão de término entre 26 e 29 de setembro, pouco mais de um mês a partir de agora. Uma delas, na Nova Beira-Rio, deveria ter começado em 20 de julho. As outras duas já possuem contratos em vigor, mas continuam sem registro de início na plataforma municipal.
As obras incluem a reconstrução de uma ponte e contenções na Nova Beira-Rio, a recuperação de 3,4 quilômetros da orla da Avenida Beira-Rio e uma intervenção com muro de gabião e recuperação de encosta no bairro Inês Groppo.
Nova Beira-Rio: início previsto para 20 de julho
A maior das três intervenções está prevista para a Avenida Augustsmidt Riani, a Nova Beira-Rio, e inclui a ponte que interliga a via à Avenida Sebastião Valoz David. O projeto também prevê intervenções nas margens da avenida.
A obra foi licitada por R$ 4.126.817,73 e será executada pela 3T Construções Ltda. O governo federal transferiu R$ 4.403.503,88 para a intervenção, por meio das Portarias 745 e 747, de 27 de março.
Apesar de classificada pela Prefeitura como “reconstrução de ponte”, a intervenção é mais ampla. Estão previstas a construção de muros de contenção em gabião e contrafortes, recuperação de calçadas e implantação de sistemas de drenagem pluvial. O objetivo é conter processos erosivos, recuperar a estabilidade das estruturas e restabelecer as condições de segurança e mobilidade.
É também a única das três para a qual a plataforma municipal informa expressamente uma data prevista para o começo dos trabalhos: 20 de julho de 2026. Nesta segunda-feira, 24 de agosto, a obra permanece classificada como não iniciada. O término está previsto para 26 de setembro.
Orla da Beira-Rio: contrato termina em setembro

Outra intervenção que consta no site da prefeitura como não iniciada é o restabelecimento da orla da Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, a Beira-Rio, em uma extensão de 3,4 quilômetros, nas duas margens do trecho compreendido entre as pontes São José e Bandeira.
A obra foi contratada emergencialmente por R$ 2.363.461,66 com a F. A. Construtora e Engenharia Ltda. O valor disponibilizado pelo governo federal é de R$ 2.534.649, autorizado pela Portaria 1.039, de 27 de março. O contrato foi assinado em 14 de julho, publicado dois dias depois e entrou em vigência na própria data da assinatura. O prazo termina em 28 de setembro. Na plataforma da Prefeitura, a obra é classificada como “não iniciada”.
O projeto prevê limpeza e recuperação da orla, desmatamento e destocamento, movimentação de terra, aterro mecanizado e transporte de solo. Também inclui pavimentação em piso intertravado, instalação de meio-fio e execução de sarjetas de concreto.
A contratação foi feita em caráter emergencial, com base no artigo 75 da Lei 14.133/2021, e está vinculada diretamente aos recursos federais destinados ao restabelecimento dos danos provocados pelas enchentes.
Inês Groppo: contrato de R$ 2 mi assinado em maio

A terceira intervenção com status de “não iniciada”, no site da prefeitura, está prevista para a Rua Professora Leocádia Godinho e Siqueira, no bairro Inês Groppo. O projeto inclui a construção de muro de gabião, restabelecimento de encosta, urbanização, drenagem pluvial, recomposição do calçamento e execução de meio-fio e sarjeta.
Para essa obra, o governo federal disponibilizou R$ 2.131.557,80, por meio da Portaria 1.079, de 31 de março. O valor atribuído à intervenção após a licitação é de R$ 808.713,03.
A execução cabe à Gabiosan Serviços Ltda. O contrato firmado com a empresa é mais amplo e engloba também intervenções em outros pontos da cidade. O valor total é de R$ 3.232.391,88, abrangendo obras em trechos da Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, Rua Jaime Candian e Rua Leocádia Godinho e Siqueira.
O contrato foi assinado em 25 de maio, publicado em 27 de maio e tem vigência informada até 26 de setembro.
No caso do Inês Groppo, há uma diferença entre as informações oficiais divulgadas ao longo dos últimos meses. Em comunicado publicado em maio, a Prefeitura incluiu a Rua Leocádia Siqueira entre os pontos contemplados pela nova etapa das obras de restabelecimento e informou o início dos serviços executados pela Gabiosan. Atualmente, porém, a intervenção específica aparece na plataforma de acompanhamento de obras com o status “não iniciada”.
A previsão de término registrada no portal é 29 de setembro, três dias depois do fim da vigência atualmente informada para o contrato que engloba os serviços.
Outro lado
O Portal Reconstruções procurou a Prefeitura de Ubá para saber por que as três intervenções ainda não começaram, se haverá prorrogação dos contratos e dos cronogramas e quais são as novas datas previstas para início e conclusão das obras. O espaço permanece aberto para manifestação.



