Estrutura de aço de 57,9 metros foi montada pelo Exército sobre o rio Tadi para restabelecer uma importante ligação rodoviária depois das enchentes de agosto
Uma ponte de 57,9 metros de comprimento e 5,5 metros de largura voltou a ligar comunidades no Nepal poucos dias depois de uma enchente destruir a estrutura que existia no local.
Sobre o rio Tadi, em Devighat, no distrito de Nuwakot, o Exército nepalês instalou uma Acrow Bridge, uma ponte modular de painéis metálicos, para restabelecer a circulação na estrada entre Nuwakot e as áreas atingidas pelas enchentes do rio Bhote Koshi, em 26 de agosto. A estrutura tem capacidade de carga informada de até 60 toneladas.
A instalação começou em 5 de setembro e foi concluída em cinco dias. Segundo o Exército, 55 profissionais trabalharam continuamente na operação, que totalizou aproximadamente 72 horas efetivas de trabalho. A ponte foi aberta ao tráfego depois da conclusão.
É uma solução de engenharia de emergência que chama atenção justamente pela velocidade.
O que é uma ponte modular?

Diferentemente de uma ponte convencional construída integralmente no local, a Acrow utiliza componentes metálicos pré-fabricados que são conectados para formar a estrutura necessária para vencer determinado vão.
A característica modular permite adaptar a estrutura às condições do local e acelerar a instalação. Esse tipo de ponte é utilizado em situações nas quais uma ligação precisa ser restabelecida rapidamente depois da destruição ou interdição de uma estrutura existente.
No caso de Devighat, a solução foi adotada depois que a ponte permanente que fazia a ligação entre as duas margens foi levada pela força da água.
O resultado foi a recuperação da passagem em poucos dias, enquanto as demais etapas da reconstrução da região ainda estão sendo planejadas.
Uma resposta rápida para um problema urgente
A escolha do local não foi aleatória.
De acordo com informações do Exército, uma avaliação técnica identificou pontos prioritários para recuperar as conexões rodoviárias destruídas ou danificadas pelas enchentes. Devighat foi escolhido como o primeiro ponto para a instalação da ponte.
A estrada é importante para conectar Nuwakot a outras áreas e para permitir a circulação de pessoas, veículos e materiais necessários à recuperação das regiões afetadas.
Com a passagem restabelecida, também fica mais fácil transportar alimentos, equipamentos e outros itens para as comunidades atingidas. O próprio governo nepalês colocou a recuperação das conexões rodoviárias, além de eletricidade e telecomunicações, entre as prioridades da resposta ao desastre.
O Exército iniciou também a construção de uma ponte suspensa de aproximadamente 250 metros, ligando Trishuli Bazaar à região próxima ao templo Dhunge Buddha. O governo também identificou outros pontos onde novas estruturas serão necessárias para recuperar as conexões interrompidas pelas enchentes.
Uma reconstrução que começa antes da obra definitiva
O caso de Devighat mostra uma etapa pouco visível da reconstrução depois de um desastre. Antes de reconstruir definitivamente uma ponte, uma estrada ou outra infraestrutura, é preciso reestabelecer as conexões essenciais para que a própria recuperação possa acontecer.
Uma comunidade isolada enfrenta mais dificuldades para receber ajuda, transportar produtos, acessar serviços de saúde ou retomar atividades econômicas. Por isso, soluções modulares podem funcionar como uma etapa intermediária: recuperam rapidamente a circulação enquanto projetos mais permanentes são estudados e executados.
No Nepal, essa necessidade é especialmente grande. O levantamento inicial do governo aponta que as enchentes danificaram 55 quilômetros de estradas, 37 pontes rodoviárias e 68 pontes suspensas. Também foram afetados projetos hidrelétricos, áreas agrícolas e outras estruturas de infraestrutura.
O tamanho do desafio
A ponte sobre o Tadi representa apenas uma pequena parte da reconstrução que o Nepal terá pela frente.
O governo estima que o desastre tenha provocado cerca de US$ 1,8 bilhão em danos físicos e US$ 883 milhões em perdas econômicas.
A avaliação inicial aponta uma necessidade de aproximadamente US$ 4,78 bilhões para recuperação e reconstrução. Desse total, cerca de US$ 57,67 milhões seriam necessários nos primeiros seis meses, enquanto US$ 4,71 bilhões correspondem às necessidades de reconstrução de longo prazo.
A conta ainda está sendo refinada. O Nepal conduz uma avaliação mais abrangente para dimensionar as perdas e definir as necessidades de reconstrução.
Mas uma coisa já começou a ser feita.
Enquanto o país calcula bilhões para reconstruir seu território, uma ponte modular de 57,9 metros mostra, na prática, como a engenharia pode devolver rapidamente uma conexão perdida por um desastre.
É uma pequena obra diante do tamanho da tragédia. Mas também é uma das primeiras imagens concretas de um país começando a reconstruir.



