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Reconstrução de 13 pontes tem R$ 11,2 mi aprovados desde abril por ministério, mas projetos não evoluíram

Local onde ficava a ponte da geladeira, na Rua Antonio Batista. Foto Washington Alves/Light Press
Local onde ficava a ponte da geladeira, na Rua Antonio Batista. Foto Washington Alves/Light Press

Nos dois meses seguintes às enchentes de fevereiro, o governo federal empenhou R$ 11.187.660,40 para projetos de reconstrução de 13 pontes em Ubá. Os primeiros empenhos foram realizados em 3 de março e os últimos, em 7 de abril. Apesar de os recursos já estarem aprovados e reservados no Orçamento da União, a base de transferências disponibilizada em junho não registra pagamento desses valores ao município.

O levantamento do Reconstruções cruza a relação de transferências federais com os planos de trabalho encaminhados pela Prefeitura de Ubá ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec). Na planilha, as 13 despesas aparecem classificadas como “Recuperação” e somam exatamente R$ 11.187.660,40.

O cenário mostra, portanto, duas etapas distintas: o dinheiro para as pontes foi aprovado e empenhado, mas, até a atualização da base analisada, não havia registro de que tivesse sido transferido.

Três pontes tiveram recursos empenhados já em março

Os primeiros empenhos ocorreram em 3 de março, poucos dias depois do desastre. Foram reservados R$ 700,8 mil para a Ponte do Frigorífico, R$ 2,422 milhões para a Ponte da Geladeira e R$ 1,708 milhão para a ponte da Avenida Cristiano Roças.

As três estruturas ficam sobre o Ribeirão Ubá. O plano da Ponte da Geladeira, na Rua Augusto Luiz Barbosa, prevê uma estrutura de 30 metros de comprimento por 9,5 metros de largura, com custo estimado em R$ 2.422.500 – o maior entre os 13 projetos.

Na Avenida Cristiano Roças, são 18 metros de comprimento por 13 metros de largura e investimento previsto de R$ 1.708.200. A Ponte do Frigorífico, na Rua Elias Antonio Laud, tem 16 metros por seis metros e orçamento de R$ 700,8 mil.

Os outros R$ 6,356 milhões foram empenhados em abril. No dia 1º, foram empenhados os recursos para Rua dos Viajantes, Moradinha e Rua Coronel João Ferreira Andrade. No dia 2, aparecem os projetos do Córrego dos Alfenas, Zueira/ETA-Miragaia, Ubari e as duas pontes da região do Aeroporto. Os dois últimos empenhos, referentes às duas pontes de Miragaia, foram registrados em 7 de abril.

Veja quando e quanto foi empenhado

PonteValor empenhadoData
Av. Cristiano RoçasR$ 1.708.200,0003/03
Ponte da GeladeiraR$ 2.422.500,0003/03
Ponte do FrigoríficoR$ 700.800,0003/03
Rua dos ViajantesR$ 624.150,0001/04
MoradinhaR$ 850.000,0001/04
Rua Cel. João Ferreira Andrade/MiragaiaR$ 1.020.000,0001/04
Córrego dos Alfenas/MiragaiaR$ 547.500,0002/04
Zueira/ETA-MiragaiaR$ 1.015.010,4002/04
Ubari*R$ 401.500,0002/04
Ponte do AeroportoR$ 547.500,0002/04
Córrego dos MendesR$ 401.500,0002/04
Acesso ao distrito de MiragaiaR$ 511.000,0007/04
Comunidade da Zoeira/MiragaiaR$ 438.000,0007/04
TotalR$ 11.187.660,40

Projetos passaram por revisões

Os planos de trabalho ajudam a levantar uma questão sobre o caminho percorrido entre a apresentação das propostas e a liberação dos recursos. Alguns projetos passaram por revisões que alteraram não apenas os valores, mas as próprias dimensões das pontes.

Um dos exemplos mais expressivos é a ponte da Rua Coronel João Ferreira Andrade, no acesso a Miragaia. Em uma versão do plano, a estrutura tinha 10 metros de comprimento por seis de largura, totalizando 60 m², e custaria R$ 438 mil.

Em versão posterior do mesmo projeto, a ponte passou a ter 20 metros de comprimento por seis de largura, dobrando a área para 120 m². O valor também mudou para R$ 1,02 milhão. É justamente R$ 1,02 milhão que aparece empenhado pelo governo federal em 1º de abril.

Outro projeto teve ainda mais alterações. A ponte de acesso à comunidade Zueira e à estação de captação de água da ETA de Miragaia aparece inicialmente com 24 metros por 4,5 metros e orçamento de R$ 918 mil.

Uma revisão passou a prever 24 metros por nove metros e elevou o valor para R$ 1.827.018,72. Em outra versão, a largura foi alterada para cinco metros e o orçamento caiu para R$ 1.015.010,40. Esse último é exatamente o valor empenhado em 2 de abril.

Os documentos comprovam que houve revisões nas informações técnicas e nos valores, mas não explicam os motivos. Por isso, não é possível concluir apenas a partir dos registros se as alterações decorreram de erros nos levantamentos apresentados inicialmente pela Prefeitura, de adequações técnicas posteriores ou de exigências feitas durante a análise federal.

Também não é possível, com os documentos disponíveis, estabelecer que essas revisões sejam a causa de os recursos ainda não aparecerem como transferidos. A coincidência entre projetos que precisaram ser alterados e recursos empenhados, mas ainda sem registro de pagamento, no entanto, coloca a questão entre os pontos que precisam ser esclarecidos pela Prefeitura e pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Entenda o que significa o recurso estar empenhado

Neste caso, o ponto principal é: o recurso não está esperando aprovação. Ele já foi aprovado e reservado pelo governo federal para a finalidade indicada. O que ainda não aparece na base é a transferência.

Em linguagem simples:

  • Empenhado: o governo federal aprovou a despesa e reservou aquele dinheiro no orçamento para os projetos.
  • Ainda não transferido: apesar da reserva dos recursos, a base analisada não apresenta solicitação de financeiro, valor a pagar, ordem bancária ou pagamento para essas obras.
  • O que falta esclarecer: qual etapa ainda precisa ser cumprida para a liberação dos R$ 11,2 milhões e se as revisões realizadas nos projetos tiveram alguma influência nesse processo.
  • Empenho também não significa obra contratada: mesmo depois da transferência dos recursos, o município ainda precisa cumprir as etapas necessárias para contratar e executar cada intervenção.

Entramos em contato com o Ministério do Desenvolvimento Regional e com a prefeitura de Ubá para entender por que, mesmo com os recursos aprovados, as obras ainda não tiveram andamento. Ainda não recebemos resposta.

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