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Quem são os profissionais que vão projetar, por R$ 2,2 mi, a sonhada barragem de Ubá contra enchente

Pedro Molinas e Alejandra, sócios da Acquatool, que vai projetar barragem. Foto: Reprodução
Pedro Molinas e Alejandra, sócios da Acquatool, que vai projetar barragem. Foto: Reprodução

A nova barragem prevista para o bairro Santa Rosa, em Ubá, será estudada e projetada pela Acquatool Consultoria, empresa do Ceará que venceu a licitação realizada pelo município, em junho, pelo valor de R$ 2,2 milhões. À frente dos trabalhos estão dois profissionais com trajetórias complementares nas áreas de recursos hídricos e ciências sociais: o engenheiro hídrico Pedro Antônio Molinas e a socióloga Alejandra Silvia Bentolila de Molinas.

Em novembro de 2025, o governo federal liberou R$ 65 milhões para a obra, uma demanda antiga da cidade para prevenir os alagamentos cada vez mais graves, que vem sendo estudada há pelo menos 14 anos. Mas as enchentes de fevereiro tornaram os projetos, que já estavam sendo revistos, ainda mais obsoletos, diante da necessidade de incorporar novos parâmetros trazidos pelas mudancas climáticas.

Pedro Molinas tem uma carreira de quase quatro décadas dedicada aos recursos hídricos. Formado em Engenharia em Recursos Hídricos pela Universidad Nacional del Litoral, na Argentina, teve o diploma revalidado no Brasil como engenheiro hídrico pela Universidade Federal de Itajubá. É mestre em Recursos Hídricos e Saneamento pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Sócio-diretor da Acquatool desde 1997, Molinas acumulou experiência em estudos hidrológicos, planejamento de sistemas hídricos, controle de cheias, abastecimento de água e projetos de barragens. Também atuou como consultor da Agência Nacional de Águas e passou por instituições ligadas à gestão dos recursos hídricos no Ceará.

Alejandra Bentolila, por sua vez, traz para a equipe a perspectiva das Ciências Sociais. Com formação em Sociologia e mestrado pela Universidade Federal do Ceará, ela tem áreas de atuação relacionadas a políticas públicas, sociologia do desenvolvimento e questões sociais e institucionais.

Sua participação em projetos da Acquatool aparece associada à análise de comunidades, meio ambiente e aspectos sociais. No Plano Municipal de Redução de Riscos de Natal, por exemplo, ela integrou a equipe da consultoria na área de Ciências Sociais, enquanto Molinas atuou como consultor em Recursos Hídricos e Meio Ambiente.

O que eles dizem

Tanto Pedro Antônio Molinas, responsável técnico pelo projeto da barragem, como a socióloga Alejandra Silvia Bentolila destacam, em vídeo institucional divulgado pela prefeitura, que a barragem não deve ser analisada como uma obra isolada, mas como parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar as enchentes em Ubá.

Molinas explica que a equipe ainda está estudando os melhores locais para a implantação do barramento. A estrutura em análise teria cerca de 10 metros de altura, capacidade de armazenamento entre 600 mil e 900 mil metros cúbicos e área máxima inundada de aproximadamente 30 hectares.

A lógica é que o reservatório funcione principalmente nos momentos de maior intensidade das chuvas. “Ela vai reter as águas de pico instantâneo da cheia e soltar ao longo do dia. Isso vai fazer com que o pico de vazão seja extremamente menor”, explica. A expectativa é que, com a redução do pico de vazão, o controle das inundações na área urbana seja facilitado.

Alejandra ressalta, porém, que a barragem representa apenas uma parte da solução. Os estudos do barramento estão inseridos no mesmo contrato que prevê a elaboração do Plano Diretor de Drenagem e Controle de Cheias de Ubá, que deverá estabelecer um conjunto de ações para o município.

“Os estudos do barramento estão dentro de um contexto maior, que também já foi contratado pela Prefeitura. O Plano Diretor vai juntar medidas estruturais, várias medidas estruturais, junto com outras medidas que as pessoas chamam de não estruturais, para conter e mitigar as enchentes em área urbana”, explica.

Na prática, isso significa que, além de obras como a barragem, o planejamento deverá considerar outras intervenções físicas e também medidas de gestão, prevenção e organização do território. A proposta é construir uma estratégia de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade da cidade às inundações.

Molinas reconhece que esse processo é demorado, mas defende que o planejamento precisa começar agora. “É um processo muito demorado, e o disciplinamento disso também é muito demorado. Isso não quer dizer que não se possa adotar soluções paliativas. É o momento de começar a planejar.”

Para o engenheiro, a barragem deve ser entendida como uma intervenção voltada a reduzir os impactos de eventos futuros, enquanto o Plano Diretor dará uma visão mais ampla das necessidades da cidade. “Hoje se contrata uma barragem para mitigar o problema futuro. O Plano Diretor pode ser um planejamento para 20 anos, mas é o momento de começar a planejar, porque as obras começam a ter uma dimensão mais estratégica. Nosso objetivo é mitigar as enchentes na cidade.”

Uma obra planejada há anos

A barragem do Santa Rosa não surgiu após as enchentes de fevereiro. O projeto é resultado de uma série de estudos iniciados ainda em 2012, quando a Prefeitura contratou um diagnóstico de drenagem urbana que apontou alternativas para reduzir as enchentes em Ubá. Em 2018, novos projetos identificaram oito possíveis bacias de detenção no município.

Com base nesse planejamento, Ubá apresentou ao Novo PAC, em 2025, uma proposta para construir dois reservatórios de controle de cheias, um no Santa Rosa e outro na região do Ginásio São José. O município foi contemplado com cerca de R$ 65 milhões, com contrato firmado com a Caixa em novembro daquele ano.

A execução, porém, não avançou como previsto. Entre o fim de 2025 e fevereiro de 2026, Prefeitura e Caixa constataram que os estudos existentes estavam defasados e precisavam ser atualizados antes da realização das obras.

As enchentes de fevereiro, as maiores registradas na história recente de Ubá, mudaram a prioridade do município. A Prefeitura decidiu concentrar inicialmente os esforços na barragem do Santa Rosa e, após discussões com a Casa Civil da Presidência, Ministério das Cidades e Caixa, foi definida a necessidade de um estudo hidrológico e hidráulico mais amplo, abrangendo toda a bacia urbana do Ribeirão Ubá e seus afluentes.

Em junho de 2026, a Prefeitura contratou, por cerca de R$ 2,2 milhões, a Acquatool Consultoria para elaborar o anteprojeto da barragem, estudos de diagnóstico e alternativas e também o Plano Diretor de Drenagem e Controle de Cheias de Ubá. O contrato tem prazo de 15 meses.

A previsão é que os primeiros seis meses sejam dedicados ao anteprojeto da barragem do Santa Rosa e aos estudos que irão subsidiar a futura licitação da obra. Os nove meses seguintes serão destinados ao Plano Diretor, que deverá definir as demais intervenções necessárias para reduzir o risco de inundações em toda a cidade.

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