Para a população da Zona da Mata de Minas Gerais que viaja com frequência a Belo Horizonte, chegar à capital mineira também significa enfrentar um velho gargalo: o trânsito no Belvedere, bairro localizado em uma das principais entradas da cidade. O trecho no entorno do BH Shopping, na ligação entre a MGC-356, a BR-356 e a Avenida Raja Gabaglia, é conhecido pelas retenções, especialmente nos horários de pico, e há anos aparece como um dos pontos mais críticos para quem entra ou sai da capital pela região Centro-Sul.
Após meses de paralisação, a Prefeitura de Belo Horizonte confirmou a retomada da obra de ampliação do viaduto no Trevo do Belvedere. A intervenção foi assumida pela Construtora Itamaracá, segunda colocada na licitação original, convocada depois que a administração municipal confirmou a rescisão definitiva do contrato com o Consórcio Alargamento do Viaduto BH Shopping, responsável pelo início dos serviços. O novo contrato prevê investimentos de R$ 22,8 milhões, com recursos do Tesouro Municipal.
Na manhã de quarta-feira, o prefeito Álvaro Damião visitou o canteiro de obras e estimou que as intervenções sejam concluídas até o final de 2027, trazendo mais agilidade para o trânsito da região. “Hoje você tem três pistas e teremos uma a mais. A gente sabe o gargalo que é aqui, a quantidade de carros que passam nessa região. Com uma pista a mais, com o alargamento desse viaduto, a gente vai dar mais vazão ao trânsito, tanto para quem passa pelo Belvedere e vai para Nova Lima, como aquele que vai para o Belvedere”, afirmou o prefeito.
Entre as intervenções previstas estão o alargamento do viaduto existente, ampliando a plataforma de cinco para seis faixas de tráfego; a reconstrução da barreira de proteção tipo New Jersey; a execução da nova estrutura de ampliação do viaduto em três vãos com vigas pré-moldadas; a adequação das alças e ramos de acesso à nova configuração da Avenida Raja Gabaglia; e a implantação de uma nova faixa de tráfego entre o trevo e a Praça Marcelo Góes Menicucci, no sentido Nova Lima-Belo Horizonte, ampliando esse trecho para três faixas de circulação.
A retomada das obras ocorre após a Prefeitura de BH cancelar o contrato anteriormente firmado com o Consórcio Alargamento do Viaduto BH Shopping. A medida foi adotada após a conclusão de processo administrativo que apurou atrasos injustificados, baixo desempenho na execução dos serviços, descumprimento de exigências técnicas e contratuais e inexecução do objeto contratado. Em razão das irregularidades, foram aplicadas sanções administrativas previstas em lei.
“Empresas que ganharem licitação em Belo Horizonte, sem chances de fazer a obra, achando que vai fazer pressão em cima do prefeito, para depois conseguir aditivos, não vai. Eu não vou ceder aditivos, não vou ceder à pressão. Eu vou ouvir a população e vou explicar porque a obra parou e porque ela vai recomeçar, porque a empresa saiu. Nós não vamos ficar cedendo à pressão e fazer politicagem com obra em Belo Horizonte”.
A obra prevê a ampliação das pistas no acesso entre a MGC-356 e a Avenida Raja Gabaglia, com alargamento do viaduto existente e implantação de faixas adicionais de tráfego. O objetivo é melhorar o fluxo em um ponto de grande circulação, usado diariamente por moradores de Belo Horizonte, Nova Lima e também por motoristas de outras regiões de Minas que chegam à capital. No Estudo Técnico Preliminar da própria Sudecap, o município reconhece que o entroncamento tem “problemas operacionais crônicos”, com congestionamentos constantes nas alças do trevo e volume de tráfego que compromete a capacidade do sistema viário.
Pelo projeto, as intervenções incluem o alargamento do viaduto, a adequação das alças e ramos de acesso, a introdução de uma nova faixa entre o trevo e a Praça Marcelo Góes Menicucci, restauração do pavimento, implantação de drenagem profunda nas vias marginais da MGC-356 e nova sinalização. O estudo técnico informa que a plataforma do viaduto será ampliada de cinco para seis faixas de tráfego.
A proposta também viabiliza uma terceira faixa de rolamento no sentido Belvedere–Santa Lúcia, além de ajustes nos encaixes das alças existentes. Em abril de 2025, ao defender a continuidade do projeto, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que as obras estruturantes no Belvedere eram necessárias por causa dos gargalos criados ao longo dos anos, tanto para entrada quanto para saída do bairro.
Como a legislação permite a convocação da segunda colocada quando a vencedora perde o contrato, a Prefeitura não precisou abrir uma nova licitação. A Construtora Itamaracá ficará responsável pela continuidade da intervenção e pela execução do saldo restante da obra. O contrato original havia sido estimado em cerca de R$ 16 milhões.
A ampliação do Trevo do Belvedere foi anunciada como uma resposta a um problema antigo de mobilidade na entrada da capital. Para quem vem da Zona da Mata e depende de deslocamentos até Belo Horizonte, a retomada da obra tem impacto direto: mais do que uma intervenção localizada em um bairro nobre da capital, trata-se de uma obra em um corredor usado por motoristas de várias regiões do estado, em uma área que concentra acessos a hospitais, centros comerciais, serviços e conexões metropolitanas.



