O impasse envolvendo a reconstrução da ponte da Avenida Cristiano Roças, no centro de Ubá, e a elaboração ainda em andamento dos projetos de engenharia das demais estruturas destruídas pelas enchentes impedem a formalização do repasse de cerca de R$ 48 milhões pelo Governo do Estado para a cidade.
Em resposta ao Portal Reconstruções, a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) informou que os projetos das pontes da Cristiano Roças (Major Figueira), Geladeira, Frigorífico e Fazendinha continuam em fase de elaboração e análise preliminar, etapa necessária antes da assinatura dos convênios e da liberação dos recursos do Acordo de Reparação do Rio Doce.
Segundo a pasta, os convênios para transferência dos recursos ainda se encontram em fase preparatória de celebração. Após a conclusão das análises técnicas e eventuais adequações dos projetos, serão definidos os valores destinados a cada intervenção e iniciada a tramitação para formalização dos convênios no Sistema de Gestão de Convênios, Portarias e Contratos do Estado de Minas Gerais (Sigcon-MG).
A estimativa atual é de investimento de R$ 48 milhões para as quatro obras, consideradas algumas das mais importantes para a recuperação da mobilidade urbana do município após o desastre climático que destruiu pontes, danificou avenidas e comprometeu o acesso a diversos bairros.
A atualização ajuda a esclarecer uma das principais dúvidas da população de Ubá, que há meses cobra o início das obras. Embora a Prefeitura tenha informado recentemente que os projetos avançavam para a fase final de revisão, a resposta oficial do Governo de Minas mostra que os estudos ainda passam por análise preliminar e que os convênios necessários para o repasse dos recursos ainda não foram assinados.
Impasse na Cristiano Roças
Entre as quatro estruturas, a situação mais complexa continua sendo a da ponte da Avenida Cristiano Roças, uma das principais ligações viárias da cidade.
Em entrevista à TV Integração na última semana, o coordenador municipal da Defesa Civil, Anderson Almeida, explicou que o município já concluiu etapas técnicas importantes para a reconstrução da travessia, incluindo sondagens, levantamentos topográficos e a elaboração do projeto da nova ponte.
Segundo ele, a Prefeitura chegou a disponibilizar equipamentos para remover os destroços da estrutura que permanecem dentro do leito do rio, mas encontrou obstáculos devido à proximidade de um imóvel interditado que apresenta risco de desabamento.
“É importante a gente destacar que o município fez todos os esforços necessários para tentar remover essas estruturas dessa ponte de dentro do leito do rio. Nós tivemos aqui o equipamento à disposição para poder fazer isso. Contudo, por conta da proximidade da ponte com essa edificação, que está interditada e apresenta risco iminente de desmoronamento, nós tivemos essa dificuldade”, afirmou.
De acordo com Anderson Almeida, a situação envolve também questões ambientais e jurídicas. Segundo ele, a legislação ambiental atualmente não permite que imóveis destruídos às margens do rio sejam reconstruídos exatamente no mesmo local onde estavam antes da enchente.
“Aqui virou um problema da questão ambiental e jurídica, porque uma vez que esses imóveis desmoronaram, a legislação ambiental atualmente não permite mais a reconstrução deles no local onde eles se encontravam antes”, explicou.
Questionado sobre quando a reconstrução da ponte poderá começar, o coordenador foi direto: “Enquanto esse imóvel continua, nada pode ser feito aqui”.
Projetos serão refeitos do zero
Em relação às demais pontes destruídas pelas chuvas, Anderson Almeida informou que a Prefeitura mantém negociações com o Governo de Minas para viabilizar os recursos necessários às obras.
Segundo ele, os projetos estão sendo desenvolvidos praticamente do zero, com o objetivo de construir estruturas mais modernas e resistentes do que as que existiam anteriormente.
“Todos os projetos estão sendo elaborados do zero e são projetos para a reconstrução de pontes de maneira melhor do que já existiam antes”, afirmou.
O coordenador reconheceu a insatisfação dos moradores diante da lentidão do processo, mas defendeu que a demora está relacionada à complexidade dos estudos e à necessidade de garantir maior segurança às futuras estruturas.
“A gente entende que tem uma demora, que tem uma insatisfação da população, que existe um transtorno na mobilidade urbana do município. Contudo, os projetos estão sendo elaborados e a tratativa junto ao Governo do Estado é para a reconstrução de pontes mais eficientes, mais resistentes, para que, infelizmente, em eventos futuros dessa magnitude, as pontes não venham a colapsar como aconteceu agora”, declarou.
Prefeito fala em fase final de revisão
Em vídeo divulgado nas redes sociais no início deste mês, o prefeito José Damato também comentou a situação das obras previstas para a Cristiano Roças, Geladeira, Fazendinha e região do Frigorífico, locais frequentemente citados por moradores que cobram maior rapidez na reconstrução.
Segundo o prefeito, os projetos passaram por nova reunião técnica com representantes do Governo de Minas Gerais e estavam em fase final de revisão. Damato afirmou ainda que a expectativa era avançar para a assinatura dos convênios que permitirão o repasse dos recursos estaduais ao município.
A administração municipal sustenta que as intervenções são complexas e dependem da conclusão de etapas técnicas e burocráticas antes do início das obras.
Enquanto os projetos seguem em análise e os convênios aguardam formalização, moradores continuam convivendo com desvios, aumento do tempo de deslocamento e dificuldades de acesso em alguns dos principais corredores viários de Ubá, mais de três meses após a maior tragédia climática da história do município.



