Na última sexta-feira, 25, o prefeito de Ubá, José Damato, esteve nos bairros Rosa de Toledo e Fazendinha para anunciar a retomada das obras na ponte atingida pela enchente de fevereiro deste ano, em Ubá, na Zona da Mata de Minas.
A visita ocorre uma semana após o Portal Reconstruções mostrar o drama da população local, que até então dependia de uma perigosa pinguela para acessar o comércio e os serviços – sete meses após o desastre climático que gerou tal impacto. A passagem é árdua e perigosa, mas foi a única saída para evitar um desvio de 2 km, da população que não dispõe de carro ou moto.
Essa ponte já deveria ter sido entregue à população totalmente recuperada no dia 29 de agosto. No entanto, a empresa contratada para o serviço, Remar, alega que o projeto inicial precisou ser ampliado, e os recursos se esgotaram. Por isso a obra parou, há dois meses. O valor do contrato é de R$ 1 milhão, e a construtora solicitou um aditivo de R$ 250 mil para retomá-la.
Na visita que fez à comunidade, o prefeito José Damato não falou sobre o atraso na obra e nem sobre o impasse com a construtora Remar. Poucos dias antes, Damato também esteve na Fazendinha e se disse indignado com o drama enfrentado pelos moradores, por causa da precariedade da pinguela. “Uma vergonha”, segundo ele. O prefeito informou, pelas redes sociais, que a prefeitura iria construir uma passagem provisória de madeira diante da precariedade da mobilidade no local.
A pinguela mostrada pelo Portal Reconstruções pela terceira vez em três meses foi construída pelos moradores porque a ponte do bairro Rosa de Toledo, destruída nas enchentes de fevereiro de 2026, era a única passagem do Fazendinha e de outros bairros da região. Uma outra ponte, a principal da comunidade, foi destruída pela enchente de 2020 e até hoje não foi reconstruída.
O secretário de Obras de Ubá, Edeir Pacheco, disse ao Portal Reconstruções que a prefeitura resolveu fazer por conta própria parte da obra para permitir a retomada o mais rápido possível do tráfego no local, o que já ocorreu. A Remar vai concluir a intervenção quando o aditivo, que está em análise pelo Ministério da Integração Regional, for autorizado. “A ponte foi liberada para transitar, mas falta terminar ainda. Estamos aguardando o aditivo pra concluir”, afirmou Pacheco.
O estudante de medicina e morador do Fazendinha, Wellington de Souza Silva, que vem divulgado em suas redes sociais o descaso de sete meses com a população, comentou ao Portal Reconstruções sua percepção sobre as últimas medidas do prefeito:
”É inegável que a nova ponte de cimento trouxe melhorias significativas à mobilidade, reduzindo consideravelmente a distância percorrida por pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas. No entanto, após sete meses de espera desde fevereiro, a instalação de uma nova estrutura de madeira — que funciona apenas como uma solução paliativa, quando haveria tempo hábil para uma definitiva — torna a situação questionável. Embora seja o recurso disponível no momento, a decisão não parece ser a mais adequada”, disse ele.
“Estão construído a tão sonhada a pinguela. Agora vai ficar aqui mais uns 20 anos com a situação desse jeito, né? Porque não fazem direito pra gente? Aí é difícil, né?”, afirmou a moradora Elizabeth dos Santos Silva Calderano. “O prefeito disse vai fazer a melhor ponte da cidade, vai ser essa aqui, vamos ver né?, acrescentou ela, referindo-se a obra da ponte principal.
No dia 9 de setembro, o Executivo assinou convênio com o governo do Estado para a contratação da obra da Ponte da Fazendinha, localizada na Rua Diógenes Gomes da Silva. Por meio do convênio, o Estado destinou R$ 14,9 milhões para a reconstrução da ponte, ficando o Município responsável pela execução da obra. Os recursos são provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce.



