Congestionamentos em horários de pico, alterações constantes no trânsito e ausência de agentes para orientar motoristas em pontos críticos estão entre as principais reclamações recebidas pelo Portal Reconstruções nas últimas semanas. Em meio às obras de recuperação dos danos provocados pela enchente histórica de fevereiro, moradores afirmam que circular por Ubá tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil.
As mudanças viárias implantadas para permitir o avanço das intervenções em avenidas, pontes e encostas afetadas pela tragédia alteraram a dinâmica da circulação em diferentes regiões da cidade. O resultado, segundo relatos de motoristas e comerciantes, é o aumento do tempo de deslocamento, dúvidas sobre rotas alternativas e maior concentração de veículos em corredores já sobrecarregados.
“Em várias ruas que circulei hoje (quarta-feira, 10) não vi um agente sequer da GCM para orientar os motoristas ou fiscalizar desrespeito às interdições. É um absurdo o que estamos passando na cidade, a falta de gestão do trânsito em meio a esse caos da reconstrução”, protestou uma advogada que passa diariamente pelo centro de carro. “É uma loucura. Não dá para acreditar que a prefeitura não acha importante reforçar a presença nas ruas nesse período difícil na cidade”, revolta-se um motorista de Uber.
Para o médico do tráfego Alysson Coimbra, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), integrante do Conselho Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Cetran-MG) e diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), os transtornos enfrentados atualmente por Ubá são compreensíveis diante dos impactos causados pela enchente, mas exigem atenção especial do poder público.
“As mudanças climáticas passaram a ser também um problema de mobilidade urbana. Eventos extremos, como as enchentes históricas que atingiram Ubá, não provocam apenas perdas humanas e materiais. Eles comprometem a capacidade de circulação da cidade por meses ou até anos”, afirma.
Segundo o especialista, quando pontes são destruídas, vias são interditadas e desvios precisam ser criados, toda a rede viária perde eficiência.
“Quando pontes são destruídas, vias são interditadas e rotas alternativas precisam ser criadas, toda a rede viária perde eficiência. O tráfego que antes era distribuído passa a ser concentrado em poucos corredores, aumentando congestionamentos, atrasos e riscos de acidentes”, explica.
Coimbra avalia que, em situações excepcionais como a enfrentada por Ubá, a reconstrução da infraestrutura precisa ser acompanhada por medidas temporárias de gestão do trânsito.
“Alterar sentidos de vias sem reforçar a orientação e o controle do trânsito tende a aumentar a confusão dos motoristas e reduzir a fluidez”, afirma.
Na avaliação dele, a ampliação da presença de agentes em pontos estratégicos, o monitoramento constante dos gargalos, a revisão periódica das alterações viárias e o reforço da sinalização podem contribuir para reduzir os transtornos enfrentados pela população enquanto as obras permanecem em andamento.
O que diz a prefeitura de Ubá
Procuramos a prefeitura na tentativa de entrevistar o responsável pela gestão do trânsito, mas não obtivemos sucesso. A assessoria do órgão disse que, “apesar das previsões iniciais não indicarem mudanças no trânsito, algumas obras na região da Beira-Rio, quando iniciadas, mostraram ser necessário.
“Ao longo dos pontos existem sinalização, mas o departamento de trânsito está buscando otimizar e melhorar a comunicação. Estamos preparando faixas com indicação. A suposta ausência (de agentes nas ruas) se deve ao pouco efetivo. Mas o comando já orientou, e nos horários considerados de pico, os guardas ficam em pontos estratégico orientando e ajudando”, informou a assessoria. O órgão disse ainda: “Vale destacar que muitas das vezes a imprudência e impaciência dos motoristas acaba provocando acidentes. Flagramos constantemente as retiradas de placas de sinalização”.



