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Construtora diz que só retoma obra de ponte após aditivo de R$ 250 mil; prefeitura busca recursos

Ponte foi parcialmente destruída na enchente de fevereiro. Foto: Arquivo Pessoal
Ponte foi parcialmente destruída na enchente de fevereiro. Foto: Arquivo Pessoal

Longe da região central de Ubá, em uma área periférica e pouco visível para grande parte da população da cidade, está parada há cerca de dois meses a obra de recuperação da ponte que dá acesso aos bairros Rosa de Toledo, Fazendinha, Cidade Nova e Conjunto Habitacional Habitat II. O Portal Reconstruções conversou com Fernando Duarte Rezende, responsável técnico pela obra e representante da Construtora Remar. Segundo ele, a empresa só retomará os trabalhos após a aprovação de um aditivo de cerca de R$ 250 mil. O contrato é de R$ 1.022.500, com recursos do governo federal, e tinha prazo de conclusão em 29 de agosto.

Para quem vive na região, porém, a paralisação faz parte da rotina. Com a ponte interditada desde a enchente de fevereiro, moradores utilizam uma passagem improvisada para atravessar o rio. O trajeto é feito por uma pinguela, no meio do curso d’água e ao lado de esgoto. Com as chuvas registradas nas últimas semanas e a elevação do nível da água, a travessia ficou ainda mais perigosa.

Segundo Fernando Rezende, o valor previsto inicialmente para a intervenção já foi consumido pelos serviços executados. Ele afirma que, durante a execução, foi necessário ampliar as dimensões do muro em relação ao que estava previsto no projeto básico usado na licitação.

“Quando foram licitadas as obras, foi licitado um projeto básico. Não existia o projeto da obra. Nós ganhamos a obra com o projeto básico. Na hora de executar, a Prefeitura quis um muro com o dobro do comprimento e praticamente o dobro da altura também. Aí mudou toda a concepção”, afirmou.

O responsável técnico diz que, sem o aditivo, a empresa não continuará os trabalhos. “O dinheiro que tinha para fazer a obra já finalizou. Então a Prefeitura está pedindo um aditivo para a Defesa Civil, em Brasília. Só que até hoje não veio.”

Questionado sobre a situação dos moradores, que continuam dependendo da passagem improvisada, Rezende disse compreender a dificuldade enfrentada pela população, mas afirmou que a empresa não tem como avançar sem os recursos. “A gente entende a população, mas o que eu posso fazer, né?”, disse.

Segundo ele, depois que o recurso for liberado e o aditivo formalizado, a Remar precisará de 15 dias para concluir a obra. “Quando conseguir e a gente assinar o contrato, vamos dar prosseguimento. Até então, o que a gente tinha condições de fazer, nós já fizemos.”

Prefeitura diz que projeto precisou ser revisto

Procurada pelo Portal Reconstruções, a Prefeitura de Ubá confirmou que a continuidade da obra depende da análise de um aditivo pela Defesa Civil Nacional. Segundo o município, durante a execução dos serviços, a equipe técnica identificou uma complexidade maior nas condições do terreno, o que tornou necessária a revisão do projeto inicialmente elaborado.

A intervenção contempla a construção de muros de gabião, a recomposição da laje e a recuperação da estrutura da ponte. O investimento previsto é de R$ 1.022.500, com recursos federais autorizados por meio da Portaria nº 636, de 27 de fevereiro de 2026, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Segundo a Prefeitura, as equipes de Planejamento e Obras elaboraram um novo projeto, com previsão de aditivo de 25%. Sobre o valor de R$ 1.022.500 informado para a intervenção, o percentual corresponde a aproximadamente R$ 255,6 mil, próximo dos R$ 250 mil mencionados pelo responsável técnico da construtora.

O município informou que toda a documentação e as informações solicitadas foram encaminhadas dentro do prazo à Defesa Civil Nacional, que atualmente analisa a proposta. A Prefeitura aguarda o posicionamento do órgão para a liberação dos recursos e a continuidade da intervenção. Não foi informado prazo para uma resposta.

As explicações apresentadas pela Prefeitura e pela construtora para a revisão do projeto têm enfoques diferentes. Enquanto o município atribui a mudança à maior complexidade das condições do terreno encontrada durante os trabalhos, o responsável técnico da Remar afirma que houve alteração nas dimensões do muro em relação ao projeto básico que serviu de referência para a licitação.

Outra ponte aguarda reconstrução definitiva

A situação da região envolve ainda outra estrutura. Segundo a Prefeitura, a ponte original da Fazendinha foi destruída durante a enchente de 2020. Na ocasião, foi construída uma passagem provisória, que permaneceu em funcionamento até ser novamente atingida pela enchente de fevereiro deste ano.

A reconstrução definitiva dessa estrutura é objeto de convênio firmado entre o Governo de Minas e a Prefeitura de Ubá. Segundo o município, foram destinados R$ 14,9 milhões, provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce, cabendo à Prefeitura a execução da obra.

De acordo com a administração municipal, a execução está vinculada ao plano de restauração e recuperação estabelecido no convênio. Por isso, uma nova intervenção estrutural ou a construção de uma passagem que não esteja prevista no projeto poderia comprometer o acordo e colocar em risco os recursos destinados à reconstrução.

A Prefeitura reconheceu os transtornos enfrentados pelos moradores, especialmente durante o período de chuvas, e informou que avalia medidas alternativas e provisórias para melhorar as condições de passagem da população sem interferir no projeto definitivo.

Enquanto o aditivo da obra de R$ 1,02 milhão permanece em análise e a reconstrução definitiva da outra estrutura não começa, moradores da região continuam recorrendo à pinguela para atravessar o rio.

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