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Construção civil explica como está redefinindo padrões para resistir aos eventos extremos

Imagem feita em abril de 2026 pelo fotógrafo Washington Alvez em Ubá
Imagem feita em abril de 2026 pelo fotógrafo Washington Alvez em Ubá

As ondas de calor têm danificado a infraestrutura urbana em países europeus, provocando deformações em pavimentos e trilhos ferroviários. Em outras partes do mundo, enchentes e secas severas destroem cidades. Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes são uma preocupação para a construção civil, que precisa investir em tecnologias para deixar a infraestrutura mais resistente. 

De asfalto modificado a soluções baseadas na natureza, o setor está preparado para enfrentar essa realidade, segundo o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Nilson Sarti. O desafio, de acordo com ele, é dar escala a essas tecnologias. 

“Hoje, contamos com asfaltos modificados, concretos de alto desempenho, pavimentos mais refletivos, materiais de maior durabilidade e soluções baseadas na natureza, que ajudam a reduzir a temperatura das cidades e a aumentar a vida útil das estruturas. O desafio agora é ampliar a escala dessas soluções.”

No caso de enchentes, a estratégia indicada por especialistas é mudar a lógica urbana. Tornar o solo mais permeável, para que, em vez de expulsar a água o mais rápido possível, ela seja retida e infiltre. Esse é o caminho, segundo o professor Joni Matos Incheglu, do curso de Engenharia Civil da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“A mesma cidade que sofre com enchentes repentinas, meses depois, vive crise hídrica, o que demanda projetá-las para enfrentar os dois extremos ao mesmo tempo, com respostas bem estruturadas da engenharia”, afirma Joni Matos

A reavaliação de limites das construções é outro ponto de cuidado apontado pelo professor. Isso porque muitas normas técnicas que dão base à segurança foram calibradas a partir de séries históricas de clima. No entanto, eventos que tratavam-se como excepcionais passam a ocorrer com mais frequência e magnitude. 

“O que demanda reavaliar os limites e revisitar as premissas de projeto, como os tempos de retorno adotados para chuvas de dimensionamento da drenagem, as velocidades de vento, a estabilidade de encostas e taludes e o comportamento das fundações em solos saturados”, acrescenta. 

Outro desafio é cuidar do edificado existente, de acordo com o professor da UMC. “A inspeção predial periódica e programas de manutenção e reforço estrutural são fundamentais, identificando a fragilidade antes que o evento extremo a transforme em acidente. A isso, soma-se a execução de projetos de drenagem à altura do novo padrão de chuvas e, talvez, o mais importante: não adianta construir mais forte no lugar errado, sem planejamento territorial. Muitas tragédias são de localização, não de estrutura. Reavaliar critérios é reavaliar também onde se pode e onde não se pode ocupar”.

Uma terceira frente é o monitoramento e da informação, com sensores e instrumentação de encostas e estruturas, gêmeos digitais e o uso de BIM no planejamento, que permitem antecipar problemas em vez de remediá-los.

Na opinião de Incheglu, ciência, tecnologia e engenharia são capazes de reduzir drasticamente os danos de um El Niño intenso. “Colocar esse aparato no centro do planejamento das cidades, e não apenas na resposta ao desastre, é a decisão mais importante que podemos tomar diante do que vem pela frente”, conclui.

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