Com previsão de término para agosto e contrato de R$ 1,65 milhão, a obra de reconstrução da Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, no trecho entre a Fiat/Novauto e a Ponte da Bandeira, tem sido alvo de reclamações de comerciantes que atuam na região. Empresários afirmam que a movimentação no canteiro diminuiu nas últimas semanas e relatam prejuízos causados pela interdição da via, uma das principais ligações da área central de Ubá.
A intervenção prevê a construção de muro de gabião, recuperação de passeio e recomposição da pavimentação asfáltica em um trecho de aproximadamente 75 metros de extensão, severamente afetado pela enchente histórica de fevereiro.
Segundo informações disponibilizadas pela Prefeitura de Ubá, a obra teve início em 22 de abril de 2026 e possui conclusão prevista para 26 de agosto deste ano. A empresa responsável pela execução é a REMAR Construtora Ltda.
A interdição do trecho foi ampliada em maio. Na ocasião, a Prefeitura informou que o acesso de veículos pesados à Avenida Beira-Rio pela Rua Virgínia Brandão, nas proximidades da Ferrominas, seria bloqueado temporariamente em razão das obras de recuperação executadas próximo à Ponte da Bandeira e à concessionária Fiat. Segundo a administração municipal, a medida foi adotada para garantir a segurança de motoristas, trabalhadores e pedestres durante os serviços.
Passados mais de dois meses desde o início da intervenção, comerciantes afirmam que a movimentação no local tem sido insuficiente diante da dimensão da obra e dos impactos provocados pela interdição.
Uma empresária da região relatou ao Portal Reconstruções que, nos últimos dias, a presença mais frequente no canteiro tem sido de uma máquina e de um caminhão utilizados na retirada de material acumulado às margens do Rio Ubá.
“Antes havia mais pessoas trabalhando na montagem dos gabiões. Há cerca de uma semana praticamente só vemos a máquina operando”, afirmou.
Outro comerciante relatou preocupação com a situação financeira das empresas instaladas no entorno da obra.
“A reconstrução é necessária e ninguém discute isso. Mas os compromissos continuam chegando. Folha de pagamento, impostos, fornecedores e financiamentos não param por causa da obra. O que queremos é entender qual é o cronograma e quando os trabalhos vão ganhar ritmo”, disse.
Segundo os comerciantes, as restrições de circulação também têm dificultado a chegada de clientes aos estabelecimentos localizados na região. Empresários chegaram a organizar um grupo para discutir alternativas e cobrar informações sobre o andamento da intervenção.
De acordo com os dados disponíveis no portal de obras da Prefeitura, a recuperação do trecho possui valor de referência de R$ 3.922.033,01, integralmente financiado com recursos federais autorizados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Após o processo licitatório, o contrato foi firmado por R$ 1.659.900,00, representando um deságio de aproximadamente 57,7% em relação ao valor inicialmente previsto.
No sistema municipal, a obra aparece com status de “em andamento”.
Em entrevista recente à Rádio Educadora, o prefeito José Damato reconheceu que parte da população considera a reconstrução lenta, mas atribuiu a situação aos trâmites exigidos para contratação de obras públicas e à necessidade de cumprir os prazos estabelecidos para utilização dos recursos federais.
Segundo o prefeito, a administração municipal tem cobrado maior agilidade das empresas responsáveis pelas intervenções e poderá aplicar notificações e penalidades em casos de descumprimento contratual.
“É uma angústia minha também. Já determinei notificações e não temos paciência com empresa que quer ganhar dinheiro e não quer trabalhar na cidade de Ubá”, afirmou durante a entrevista.
O Portal Reconstruções encaminhou questionamentos à Prefeitura de Ubá sobre o estágio atual da obra, o cronograma de execução e as reclamações apresentadas pelos comerciantes da região. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e da empresa responsável pela execução dos serviços.



