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Contratada com deságio de 57%, obra próxima a Fiat teve ritmo reduzido, dizem comerciantes

População diz que ritmo da obra diminuiu nas últimas semanas.
População diz que ritmo da obra diminuiu nas últimas semanas.

Com previsão de término para agosto e contrato de R$ 1,65 milhão, a obra de reconstrução da Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, no trecho entre a Fiat/Novauto e a Ponte da Bandeira, tem sido alvo de reclamações de comerciantes que atuam na região. Empresários afirmam que a movimentação no canteiro diminuiu nas últimas semanas e relatam prejuízos causados pela interdição da via, uma das principais ligações da área central de Ubá.

A intervenção prevê a construção de muro de gabião, recuperação de passeio e recomposição da pavimentação asfáltica em um trecho de aproximadamente 75 metros de extensão, severamente afetado pela enchente histórica de fevereiro.

Segundo informações disponibilizadas pela Prefeitura de Ubá, a obra teve início em 22 de abril de 2026 e possui conclusão prevista para 26 de agosto deste ano. A empresa responsável pela execução é a REMAR Construtora Ltda.

A interdição do trecho foi ampliada em maio. Na ocasião, a Prefeitura informou que o acesso de veículos pesados à Avenida Beira-Rio pela Rua Virgínia Brandão, nas proximidades da Ferrominas, seria bloqueado temporariamente em razão das obras de recuperação executadas próximo à Ponte da Bandeira e à concessionária Fiat. Segundo a administração municipal, a medida foi adotada para garantir a segurança de motoristas, trabalhadores e pedestres durante os serviços.

Passados mais de dois meses desde o início da intervenção, comerciantes afirmam que a movimentação no local tem sido insuficiente diante da dimensão da obra e dos impactos provocados pela interdição.

Uma empresária da região relatou ao Portal Reconstruções que, nos últimos dias, a presença mais frequente no canteiro tem sido de uma máquina e de um caminhão utilizados na retirada de material acumulado às margens do Rio Ubá.

“Antes havia mais pessoas trabalhando na montagem dos gabiões. Há cerca de uma semana praticamente só vemos a máquina operando”, afirmou.

Outro comerciante relatou preocupação com a situação financeira das empresas instaladas no entorno da obra.

“A reconstrução é necessária e ninguém discute isso. Mas os compromissos continuam chegando. Folha de pagamento, impostos, fornecedores e financiamentos não param por causa da obra. O que queremos é entender qual é o cronograma e quando os trabalhos vão ganhar ritmo”, disse.

Segundo os comerciantes, as restrições de circulação também têm dificultado a chegada de clientes aos estabelecimentos localizados na região. Empresários chegaram a organizar um grupo para discutir alternativas e cobrar informações sobre o andamento da intervenção.

De acordo com os dados disponíveis no portal de obras da Prefeitura, a recuperação do trecho possui valor de referência de R$ 3.922.033,01, integralmente financiado com recursos federais autorizados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Após o processo licitatório, o contrato foi firmado por R$ 1.659.900,00, representando um deságio de aproximadamente 57,7% em relação ao valor inicialmente previsto.

No sistema municipal, a obra aparece com status de “em andamento”.

Em entrevista recente à Rádio Educadora, o prefeito José Damato reconheceu que parte da população considera a reconstrução lenta, mas atribuiu a situação aos trâmites exigidos para contratação de obras públicas e à necessidade de cumprir os prazos estabelecidos para utilização dos recursos federais.

Segundo o prefeito, a administração municipal tem cobrado maior agilidade das empresas responsáveis pelas intervenções e poderá aplicar notificações e penalidades em casos de descumprimento contratual.

“É uma angústia minha também. Já determinei notificações e não temos paciência com empresa que quer ganhar dinheiro e não quer trabalhar na cidade de Ubá”, afirmou durante a entrevista.

O Portal Reconstruções encaminhou questionamentos à Prefeitura de Ubá sobre o estágio atual da obra, o cronograma de execução e as reclamações apresentadas pelos comerciantes da região. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e da empresa responsável pela execução dos serviços.

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