Um dos projetos financiados pelo Governo Federal para a recuperação de Ubá após as enchentes históricas de fevereiro já teve os recursos integralmente transferidos ao município, mas até o momento não há sinais visíveis da execução das obras.
Dados obtidos pelo Portal Reconstruções por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que a ação de recomposição de guarda-corpos da avenida Beira-Rio e outras recebeu R$ 1.128.073,61 e aparece com status financeiro de “pago” nos registros do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
De acordo com a documentação oficial, o plano de trabalho nº 59052.038744/2026-81 foi enquadrado como ação de restabelecimento e teve o valor integral empenhado e posteriormente transferido para a Prefeitura de Ubá. A ordem bancária foi emitida em 28 de abril de 2026, pouco mais de dois meses após o desastre que atingiu a cidade.
Na prática, isso significa que os recursos federais destinados ao projeto já deixaram os cofres da União e foram colocados à disposição da administração municipal para execução da intervenção.
O objetivo do plano é a recomposição dos guarda-corpos danificados pela força das águas durante a enchente. No entanto, visita realizada em diferentes pontos da cidade não identificou a substituição dessas estruturas nem a presença de obras relacionadas ao projeto.

Os documentos obtidos pelo Portal Reconstruções não detalham quais locais serão contemplados, a extensão das intervenções e nem a quantidade de guarda-corpos a serem instalados ou recuperados.
Com mais de R$ 1,1 milhão, a recomposição de guarda-corpos figura entre as ações individuais de restabelecimento com valores mais expressivos financiadas pelo Governo Federal para Ubá.
A planilha encaminhada pelo MIDR informa ainda que o projeto tem vigência até outubro de 2026. Apesar disso, mais de um mês após a emissão da ordem bancária, moradores continuam sem informações públicas sobre qual o cronograma previsto para a execução dos serviços.
Procuramos a Prefeitura de Ubá solicitando o atual status desse projeto no plano de reconstrução da cidade. Quando houver resposta, atualizaremos esta matéria.
Em nota publicada em 22 de abril, a administração municipal informou que as estruturas emergenciais estavam sendo executadas pelas Secretarias de Agricultura e Ambiente e de Obras para garantir a segurança dos pedestres. Segundo a prefeitura, os materiais utilizados não representavam a solução definitiva e haviam sido adotados devido à necessidade de resposta rápida após os danos provocados pelas chuvas.
Na ocasião, o município informou que havia sido contemplado com R$ 1.128.073,61 por meio da Portaria nº 1.201, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e que aguardava etapas burocráticas como abertura de conta específica e autorização financeira para iniciar o processo licitatório destinado à contratação da empresa responsável pelas estruturas permanentes.



