Primeiro museu de Minas Gerais e guardião de um dos mais importantes acervos históricos do país, o Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, voltou a receber visitantes na última terça-feira (3), após ficar fechado por mais de três meses para obras de recuperação. O complexo foi interditado após os temporais de fevereiro deste ano causarem problemas em áreas externas, especialmente em muros, taludes e encostas do parque, exigindo obras emergenciais e avaliações técnicas antes da retomada das atividades.
A reabertura marca mais uma etapa do processo de recuperação da cidade após o desastre climático que deixou dezenas de mortos e provocou destruição em diversos bairros. O Museu Mariano Procópio foi um dos equipamentos públicos impactados pela tragédia e passou por ações de recuperação estrutural e restauração das áreas atingidas.
Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, os prédios históricos e o acervo não sofreram danos estruturais. As intervenções concentraram-se principalmente nas áreas externas do complexo, onde equipes técnicas trabalharam na recuperação de estruturas comprometidas pelas chuvas e na eliminação de riscos para visitantes e servidores.
Durante a cerimônia de reabertura, a prefeita Margarida Salomão afirmou que a preservação do museu é uma responsabilidade permanente do poder público e destacou o valor histórico e cultural da instituição, classificando o espaço como um patrimônio que ultrapassa a importância local e possui relevância para a memória brasileira.
Fundado por Alfredo Ferreira Lage e aberto à visitação em 1915, o Museu Mariano Procópio é considerado o primeiro museu de Minas Gerais. Seu acervo reúne milhares de peças relacionadas à história do Brasil, com destaque para coleções do período imperial, obras de arte, documentos históricos e exemplares de ciências naturais. O complexo ocupa uma área que inclui a Villa Ferreira Lage, jardins históricos e edificações de grande valor arquitetônico.
A reabertura também traz duas exposições inéditas. Uma delas, intitulada “Museu e resiliência: entre desafios e recomeços”, apresenta 20 fotografias do trabalho de recuperação realizado após as enchentes. A mostra documenta os bastidores das ações executadas durante os meses em que o espaço permaneceu fechado e reforça o debate sobre a necessidade de proteger patrimônios históricos diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos.
A outra exposição se chama “O leque e suas (re)apresentações”, com 12 leques históricos do século XIX que estavam preservados na reserva técnica do museu.
A retomada das visitas ocorre dentro da programação dos 176 anos de Juiz de Fora e simboliza não apenas a recuperação de um importante equipamento cultural, mas também os desafios enfrentados pelas cidades brasileiras para proteger seu patrimônio histórico em um contexto de crescente vulnerabilidade climática.



