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Impacto das enchentes na economia de Ubá supera R$ 2 bilhões; 20% dos lojistas não voltam

Loja destruída pela enchente próximo à Avenida Beira Rio. Foto Washington Alves/Light Press
Loja destruída pela enchente próximo à Avenida Beira Rio. Foto Washington Alves/Light Press


As chuvas que devastaram Ubá na madrugada de 24 de fevereiro destruíram total ou parcialmente mais de 1.600 negócios, um impacto que ainda pode ser visualmente conferido no grande número de lojas fechadas pelas ruas da cidade, pouco mais de três meses após a enchente. Os prejuízos do setor já chegam a R$ 1,5 bilhão, como informou ao Portal Reconstruções o presidente da Aciubá (Associação Comercial, Industrial e Serviços de Ubá), Elias Ricardo Coelho. Segundo ele, quando se levam em conta a indústria e os serviços, as perdas são estimadas em mais de R$ 2 bilhões.

O empresário assumiu a gestão da entidade em janeiro de 2026. “Havíamos acabado de finalizar o nosso planejamento estratégico. Uma semana depois veio a enchente e foi a tristeza que todos nós vimos”, disse.

A discussão sobre novos projetos foi engavetada. Todos os esforços precisaram ser direcionados a encontrar soluções e medidas que apoiassem o setor produtivo. “Cerca de 80% dos empreendimentos foram atingidos”, afirma Elias Coelho.

Uma das medidas foi a criação, em conjunto com a Prefeitura e o Ministério Público, de um fundo que arrecadou R$ 3 milhões para financiar a reconstrução dos estabelecimentos. Até maio, 305 comerciantes haviam obtido um crédito de R$ 10 mil. “Tivemos mais de 700 inscritos, mas os recursos já acabaram. Muitos precisaram ser negados porque não se encaixavam nas regras. Por exemplo, 45 inscritos tinham CNPJ criado após as enchentes”, relatou o presidente da Aciubá.

As perdas também chegaram ao mercado de trabalho. Antes da enchente, o comércio vinha contratando mão de obra, e os números do Caged, o Cadastro Oficial de Emprego e Desemprego do governo federal, mostravam saldo positivo de 724 empregos criados em janeiro. Nos dois meses seguintes, o Caged mostrou a perda de pelo menos 293 empregos formais. “Com certeza é o impacto direto das chuvas”.

O empresário também faz um balanço da reconstrução. Para ele, as obras estão acontecendo, mas em ritmo lento, e o comércio, aos poucos, vai se restabelecendo. Elias Coelho também avalia que a atual crise politica na prefeitura precisa ser superada para que a recuperação da cidade avance de forma mais rápida e efetiva. “Todos temos o mesmo desejo, que é ver a cidade pujante novamente”.

Dos estabelecimentos que fecharam as portas após as enchentes, 30% voltaram; 30% estão voltando; e 10% ainda voltarão, segundo ele. “Mas tem também o outro lado: uns 20% abandonaram, mudaram de local ou foram embora da cidade”, disse.

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