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Mudanças Climáticas

Alerta climático: após 2º abril mais quente da história, novo El Niño no radar

Imagem gerada por IA/Pixabay
Imagem gerada por IA/Pixabay

O planeta voltou a ligar o alerta climático. Dados divulgados pelo serviço europeu Copernicus Climate Change Service mostram que abril de 2026 registrou a segunda maior temperatura da superfície dos oceanos já medida para o mês, reacendendo o temor de que um novo episódio de El Niño esteja em formação. Para cientistas, o aquecimento acelerado das águas do Pacífico soma mais um combustível à crise climática global e pode intensificar eventos extremos nos próximos meses.

Segundo o levantamento, a temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares chegou a 21°C em abril, ficando atrás apenas do recorde observado em 2024, justamente durante o último grande evento de El Niño. O aquecimento anormal das águas tropicais do Pacífico é considerado um dos principais sinais de que o fenômeno climático pode retornar ainda em 2026.

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica em diferentes partes do planeta. O fenômeno costuma provocar secas severas em algumas regiões e enchentes em outras, além de ampliar ondas de calor e incêndios florestais.

De acordo com estimativas da agência climática dos Estados Unidos, a NOAA, existe mais de 60% de chance de o El Niño se desenvolver entre maio e julho deste ano. Meteorologistas australianos também identificaram um aquecimento persistente do Pacífico tropical, embora ainda haja incertezas sobre a intensidade do fenômeno.

Especialistas alertam que o cenário se torna ainda mais preocupante porque o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa potencializa os efeitos naturais do El Niño. Em outras palavras, o planeta já está mais quente do que décadas atrás e qualquer oscilação climática ocorre agora sobre uma “base térmica” muito elevada.

O oceano desempenha papel central nesse processo. Cerca de 90% do excesso de calor gerado pelas mudanças climáticas é absorvido pelos mares, o que vem elevando continuamente a temperatura das águas e aumentando a frequência de ondas de calor marinhas.

Os impactos já começam a aparecer em várias regiões do mundo. O relatório do Copernicus aponta extremos climáticos simultâneos: calor recorde na Espanha, chuvas acima da média em partes da América do Norte, Ásia e Brasil, além de estiagens severas em outras áreas da América do Sul e da Austrália. O gelo marinho do Ártico também teve uma das menores extensões já registradas para abril.

Pesquisadores temem que, caso o aquecimento do Pacífico continue se intensificando ao longo do ano, o planeta possa enfrentar uma nova sequência de recordes de temperatura global entre o fim de 2026 e 2027. Alguns modelos climáticos já trabalham com a possibilidade de um El Niño forte, potencialmente comparável aos episódios históricos de 2015 e 1997.

Para o Brasil, a combinação entre mudanças climáticas e El Niño costuma significar aumento do risco de eventos extremos. Historicamente, o fenômeno favorece chuvas intensas no Sul do país e períodos de seca e calor acima da média em áreas do Norte e Nordeste, além de influenciar a produção agrícola, o abastecimento de água e a geração de energia

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