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De Ubá a SP: chuva chega mais cedo e já supera média de setembro em cidades de Minas e do país

Forte temporal atingiu Astolfo Dutra na noite desta terça-feira, 15. Foto melhorada com IA.
Forte temporal atingiu Astolfo Dutra na noite desta terça-feira, 15. Foto melhorada com IA.

Em apenas duas semanas, setembro já acumula em cidades de Minas Gerais mais chuva do que normalmente seria esperada para o mês inteiro. Em Ubá e Juiz de Fora, na Zona da Mata, a média mensal foi superada antes da metade do mês. Em Belo Horizonte, uma das regiões recebeu mais de quatro vezes o volume médio de setembro. Os números chamam atenção também pelo calendário: setembro ainda integra o período predominantemente seco em boa parte do estado.

Em Ubá, cidade que ainda se recupera da enchente de fevereiro, a Defesa Civil contabilizou 77,9 milímetros somente nos dez primeiros dias do mês. O volume já superava a média histórica de aproximadamente 66 milímetros para setembro inteiro. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados apenas 1,4 milímetro.

O cenário se repete em Juiz de Fora. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que a cidade acumulou 93 milímetros até as 9h de segunda-feira (14), cerca de 61% acima da média histórica de 57,8 milímetros para todo o mês.

Segundo a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet, setembro deste ano apresenta comportamento diferente do habitual. As frentes frias têm conseguido avançar sobre Minas com maior frequência, provocando sucessivos episódios de chuva. A especialista observa que o padrão atmosférico já apresenta sinais de transição entre o período seco e o chuvoso, mudança que normalmente se consolida mais tarde.

Ao jornal Tribuna de Minas, a climatologista Cássia Ferreira, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), também chama atenção para a antecipação. Segundo ela, setembro tem sido predominantemente seco nas últimas duas décadas na cidade e a estação chuvosa normalmente começa a se estabelecer na segunda quinzena de outubro. “Nos últimos 20 anos, setembro tem sido bem seco, com muita incidência de queimadas”, afirma.

BH tem quatro vezes a média

Em Belo Horizonte, a chuva está distribuída de forma desigual, mas algumas regiões registram acumulados excepcionais. Até a manhã desta terça-feira (15), o Barreiro havia recebido 201 milímetros desde o início do mês, segundo a Defesa Civil. O volume equivale a mais de quatro vezes a média climatológica de setembro, de 49,2 milímetros. Oeste, Centro-Sul e Noroeste também já haviam ultrapassado a média mensal.

A situação não se restringe a Minas. Em São Paulo, o Inmet registrou 253,8 milímetros no Mirante de Santana entre os dias 1º e 14, cerca de três vezes a média de setembro e acima do antigo recorde mensal, de 243,1 milímetros, registrado em 1983. Outras estações paulistas também quebraram recordes antes mesmo da metade do mês.

Por que a chuva chegou mais cedo?

Em análise divulgada nesta terça-feira, o Inmet afirma que setembro vem sendo marcado por uma sequência de episódios de tempo severo no Centro-Sul do país. A combinação de uma atmosfera muito quente, úmida e instável com a passagem de frentes frias favoreceu a formação de tempestades. No último fim de semana, as áreas de instabilidade atingiram São Paulo, o sudeste de Minas e o Rio de Janeiro.

As chuvas ocorrem ainda em um momento de rápido fortalecimento do El Niño no Pacífico. A atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), de 10 de setembro, aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027.

O El Niño, porém, não pode ser apontado isoladamente como responsável pelos temporais registrados em Minas. Seus efeitos sobre o Sudeste são mais complexos do que no Sul do Brasil, onde a associação com chuvas acima da média é mais consistente. No episódio atual, as causas meteorológicas imediatas são a sucessão de frentes frias e áreas de instabilidade. O El Niño entra como parte do contexto climático de grande escala.

E a Zona da Mata deve continuar em atenção. Na previsão para a semana de 14 a 21 de setembro, o Inmet coloca a região, junto com o Campo das Vertentes, entre as áreas de Minas com os maiores acumulados previstos, que podem ultrapassar 100 milímetros em alguns pontos.

O Instituto também emitiu um alerta amarelo de “tempestade” para 33 cidades das regiões Norte, Centro e Noroeste de Minas Gerais. 

O aviso, classificado como “Perigo potencial”, indica previsão de chuva entre 20 e 30 mm por hora ou 50 mm por dia, com ventos intensos (40 a 60km/h) e queda de granizo.

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