Governo começa levantamento detalhado dos danos e prevê buscar ajuda internacional; mais de 10 mil pessoas já foram resgatadas e milhares continuam desaparecidas
A reconstrução das regiões devastadas pelas enchentes no Nepal poderá custar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. A estimativa preliminar foi apresentada pelo ministro das Finanças do país, Swarnim Wagle, enquanto o governo inicia um levantamento detalhado para calcular o tamanho dos danos e definir como reconstruir casas, estradas, pontes, usinas hidrelétricas e outras estruturas destruídas.
A dimensão do desastre ainda está sendo conhecida. Segundo o balanço oficial divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Nepal no domingo (31), 903 corpos haviam sido recuperados, cerca de 4,2 mil pessoas permaneciam desaparecidas e mais de 10 mil haviam sido resgatadas. Entre os desaparecidos estão moradores e turistas estrangeiros. O próprio governo alerta que os números continuam mudando à medida que avançam as buscas e a identificação das vítimas.
As enchentes repentinas atingiram o rio Bhote Koshi em 26 de agosto e provocaram destruição em áreas próximas à fronteira com a China. Casas e infraestrutura crítica foram atingidas, incluindo rodovias, pontes e instalações de geração de energia hidrelétrica. O governo mobilizou equipes de segurança, resgate e saúde e passou a receber apoio internacional.
A estimativa de US$ 5 bilhões ainda não representa, portanto, um orçamento fechado. O governo prepara um Post-Disaster Needs Assessment (PDNA), levantamento pós-desastre usado para dimensionar perdas e estabelecer quanto será necessário para recuperação, reabilitação e reconstrução. A Comissão Nacional de Planejamento deverá coordenar o trabalho com ministérios e especialistas nacionais e internacionais. A expectativa é de que o diagnóstico leve cerca de dois meses.
Reconstruir considerando o próximo desastre
Um aspecto do planejamento chama atenção em um momento em que eventos extremos impõem custos crescentes a cidades e países: o governo nepalês afirma que pretende considerar mudanças climáticas e riscos de novos desastres na estratégia de reconstrução.
Gunakhar Bhatta, vice-presidente da Comissão Nacional de Planejamento, afirmou que o levantamento deverá analisar como a mudança do clima está afetando o país e produzir recomendações. O trabalho também avaliará os danos à infraestrutura e a necessidade de reassentamento de moradores, inclusive com a possibilidade de criação de novos assentamentos.
O anúncio aproxima a reconstrução do conceito conhecido internacionalmente como “Build Back Better” — reconstruir melhor. Em vez de simplesmente refazer uma ponte, estrada ou moradia exatamente como era antes, a reconstrução pós-desastre pode incorporar os riscos que ficaram evidentes durante a tragédia, reduzindo a vulnerabilidade a novos eventos.
No boletim oficial deste domingo, o governo confirmou que o diagnóstico detalhado deverá estabelecer as necessidades reais para a reconstrução de moradias, estradas, pontes e instalações hidrelétricas, entre outras estruturas. O Nepal também já admite que precisará de um volume significativo de ajuda internacional para financiar essa etapa.
Um custo equivalente a cerca de 10% da economia
O teto da estimativa, de US$ 5 bilhões, corresponde a aproximadamente um décimo da economia nepalesa, segundo a Reuters. O impacto é especialmente relevante porque as enchentes atingiram também o setor hidrelétrico: projetos afetados representam mais de 12% da capacidade nacional de geração de energia.
O país já enfrentou anteriormente uma reconstrução de enormes proporções. Depois do terremoto de magnitude 7,8 de 2015, que matou quase 9 mil pessoas e destruiu mais de meio milhão de casas, o Nepal também elaborou um levantamento pós-desastre e realizou uma conferência internacional para buscar recursos. A reconstrução custou cerca de US$ 9 bilhões, segundo a Reuters.
Agora, enquanto as equipes ainda procuram milhares de desaparecidos, a reconstrução começa a ser planejada antes mesmo de ser possível conhecer toda a extensão dos prejuízos.
Em comunicado oficial, o governo reconhece que a recuperação de longo prazo é tão necessária quanto a resposta emergencial. O Ministério do Interior afirma que, além de levar sobreviventes para locais seguros, garantir sua reabilitação no longo prazo é uma necessidade crítica.
Fontes oficiais: Ministério das Relações Exteriores do Nepal – balanço de 31 de agosto e Ministério do Interior do Nepal – comunicado sobre o desastre. A estimativa financeira foi divulgada pelo ministro das Finanças à Reuters e publicada no Brasil pela CNN Brasil.



