O conceito de cidades-esponja têm conquistado relevância no mundo diante dos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Nele, o arquiteto paisagista chinês Kongjian Yu propõe que os ambientes urbanos sejam planejados para absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva, em vez de simplesmente escoá-la por sistemas de drenagem tradicionais.

A tese ganhou força após uma tragédia em Pequim em 2012, quando chuvas intensas provocaram a morte de quase 80 pessoas. Na ocasião, a Cidade Proibida, antigo complexo imperial localizado na capital chinesa, não foi alagada. Um dos aspectos mais impressionantes foi sua capacidade de resistir a chuvas intensas e possíveis enchentes graças a um sistema de drenagem extremamente avançado para a época.
O complexo foi projetado com uma leve inclinação no terreno, direcionando naturalmente a água para canais subterrâneos e calhas de pedra esculpidas ao longo das construções. Além disso, o piso de grandes lajes permite o escoamento entre as juntas, enquanto centenas de saídas em forma de cabeças de dragão funcionam como bicas que conduzem a água para fora dos pátios. Esse conjunto integrado garante que a água da chuva seja rapidamente absorvida e direcionada, evitando acúmulos – um exemplo histórico de engenharia que dialoga diretamente com os princípios das cidades-esponja modernas.
Esse conceito busca reduzir enchentes, melhorar a qualidade da água e aumentar a resiliência urbana frente às mudanças climáticas, utilizando soluções baseadas na natureza, como parques alagáveis, telhados verdes e pavimentos permeáveis.
Morte trágica. Yu morreu no Brasil em 2025, aos 62 anos, em um acidente aéreo no Pantanal, no estado de Mato Grosso do Sul. O acidente ocorreu em 23 de setembro de 2025, na região de Aquidauana, quando um pequeno avião caiu e matou todos os ocupantes. Yu estava no país participando de atividades ligadas à arquitetura e também envolvido em um projeto audiovisual sobre seu trabalho.




