O calor intenso atinge, neste início de maio de 2026, várias regiões do país. Temperaturas acima da média têm sido registradas em diferentes regiões do país. Esse é um fenômeno cada vez mais comum na vida das pessoas no mundo todo, intensificadas pelas ilhas de calor urbanas, resultado de um planejamento urbano que prioriza o concreto às áreas verdes.
Uma pesquisa recente publicada por cientistas brasileiros e portugueses mapeou 48 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no Brasil entre 2000 e 2018; o mesmo artigo também mostrou que as ondas de calor se tornaram quatro vezes mais frequentes desde a década de 70.
As maiores causas de morte durante as ondas de calor são infarto e AVC, seguidos pelas doenças respiratórias. As informações são do médico, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Acadêmico Paulo Saldiva.

“As faixas etárias mais vulneráveis são as crianças de até quatro anos e os idosos a partir dos 69 anos. Crianças entre cinco e nove anos também estão sob maior risco. Isso ocorre porque os mecanismos termorreguladores do corpo não estão plenamente desenvolvidos, ou já não funcionam tão bem”, explicou.
Diretamente relacionada às mudanças climáticas, a poluição do ar é outro problema afetando a vida dos brasileiros nas grandes cidades.
“Temos milhões de pessoas presas em ilhas de calor e de concreto, perdendo horas no trânsito respirando poluição. Análises do pulmão de não-fumantes que vivem nas cidades mostram marcas de fuligem semelhantes às de pessoas que fumam. “A questão ambiental nas cidades é uma afronta à cidadania”, criticou Saldiva, que defendeu a reorganização do espaço urbano para aproximar moradia e trabalho.
“Morre muito mais gente por onda de calor do que por deslizamento no Brasil e, em ambos os casos, morrem quatro vezes mais pessoas negras e pobres”, analisou o físico e Acadêmico Paulo Artaxo.
As afirmações foram feitas no seminário “Cidades e Mudanças Climáticas”, no Rio de Janeiro, organizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Seppe-MCTI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).



