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De resíduo a matéria-prima: pneus usados são transformados em ‘asfalto-borracha’ para rodovias

Obras de aplicação de asfalto-borracha no Sul de Minas. Foto: EPR Vias do Café/Divulgação
Obras de aplicação de asfalto-borracha no Sul de Minas. Foto: EPR Vias do Café/Divulgação

Durante décadas, os pneus inservíveis foram um dos grandes desafios ambientais. Difíceis de degradar, eles ocupam espaço em aterros, podem contaminar o meio ambiente e, quando descartados irregularmente, ainda favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Agora, uma tecnologia vem mostrando que esse passivo ambiental pode se tornar parte da solução.

Em Minas Gerais, o uso do chamado asfalto-borracha ganha cada vez mais espaço como uma alternativa capaz de unir inovação, economia circular e infraestrutura de qualidade. A tecnologia incorpora aproximadamente 15% de borracha moída de pneus reciclados ao cimento asfáltico, criando um pavimento mais resistente, seguro e sustentável.

Economia circular na prática

O princípio da economia circular é simples: manter materiais em uso pelo maior tempo possível, reduzindo a extração de novos recursos e o descarte de resíduos. O asfalto-borracha é um exemplo concreto desse conceito.

Ao transformar pneus usados em matéria-prima para a pavimentação, o material ganha uma nova finalidade, reduzindo o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado. A iniciativa também diminui a necessidade de destinação desses resíduos para aterros ou outros processos de tratamento.

Nas obras em andamento no Sul de Minas, entre os municípios de Monte Belo, Areado e Muzambinho, a previsão é recuperar cerca de 100 quilômetros de rodovias utilizando aproximadamente 70 mil pneus reciclados. Em média, cada quilômetro pavimentado reaproveita cerca de 350 pneus que poderiam permanecer no ambiente por centenas de anos. (Agência Minas)

Sustentabilidade também significa infraestrutura mais durável

Os benefícios vão além da destinação correta dos resíduos.

Por apresentar maior elasticidade, o asfalto-borracha resiste melhor ao surgimento de trincas e fissuras provocadas pelas variações de temperatura e pelo tráfego intenso. Segundo dados do Governo de Minas, sua resistência ao trincamento pode ser até cinco vezes superior à do pavimento convencional. Isso significa menos intervenções para manutenção, menor consumo de materiais ao longo do tempo e redução das emissões associadas às obras de recuperação.

Outro aspecto importante é a segurança viária.

A composição do pavimento proporciona maior aderência entre os pneus dos veículos e a pista, reduzindo o risco de derrapagens. Em períodos chuvosos, o material também ajuda a minimizar o chamado efeito spray, a nuvem de água levantada pelos pneus, melhorando a visibilidade dos motoristas.

Além de aumentar o conforto durante a condução, essas características contribuem para tornar as viagens mais seguras.

Um caminho para cidades e estados mais sustentáveis

A adoção do asfalto-borracha demonstra como soluções ambientais podem gerar benefícios econômicos e sociais ao mesmo tempo. Em vez de tratar pneus usados apenas como resíduos, eles passam a integrar uma cadeia produtiva capaz de melhorar a qualidade da infraestrutura, reduzir impactos ambientais e prolongar a vida útil das rodovias.

Em um cenário em que a gestão de resíduos e a adaptação às mudanças climáticas se tornam prioridades para governos e empresas, iniciativas como essa mostram que a inovação pode transformar problemas ambientais em oportunidades para construir cidades mais resilientes e sustentáveis.

(Com informações da Agência Minas)

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