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Pesquisa mostra que enchentes derrubaram consumo dos supermercados na Zona da Mata

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Mais de três meses após as enchentes que devastaram cidades da Zona da Mata mineira, os impactos econômicos continuam aparecendo nos indicadores da região. Dados do Índice de Consumo dos Lares Mineiros, elaborado pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), mostram que a Zona da Mata registrou o menor crescimento do consumo entre todas as regiões do Estado no primeiro quadrimestre de 2026.

Segundo levantamento divulgado pelo Diário do Comércio, o consumo nos supermercados da região cresceu apenas 2,48% no período. O resultado ficou abaixo dos índices observados no Sul de Minas (3,22%) e no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (3,15%), que lideraram o ranking estadual.

A avaliação de representantes do setor supermercadista é que o grande volume de doações distribuídas às famílias atingidas pelas chuvas pode ter contribuído para reduzir temporariamente a demanda por produtos básicos nos meses seguintes ao desastre.

Em entrevista ao Diário do Comércio, o comerciante Higino Barbosa, de 61 anos, proprietário do Mercado Uemar, em Matias Barbosa, avalia que o desempenho mais fraco do consumo na Zona da Mata está diretamente relacionado às consequências das enchentes que atingiram a região em fevereiro. Segundo ele, cidades mais impactadas, como Ubá e Juiz de Fora, receberam grande volume de doações de alimentos e produtos de primeira necessidade, o que acabou reduzindo temporariamente a procura nos supermercados.

“Carretas abastecidas de itens como óleo, papel higiênico e açúcar chegaram nas cidades imediatamente após as enchentes. Conheço várias pessoas que, ao receberem as cestas básicas, ficaram de quatro a cinco meses sem fazer compras. Esse alto índice de doações afetou o setor supermercadista, mas que bom que elas aconteceram, pois foram necessárias naquele momento”, afirmou ao Diário do Comércio.

De acordo com Barbosa, alguns produtos básicos só começaram a registrar recuperação nas vendas recentemente. Ele cita o leite como exemplo. “Comecei a vender leite nos últimos 30 dias. Não estava vendendo”, relatou. Com faturamento médio mensal de aproximadamente R$ 900 mil, o empresário acredita que o consumo regional deverá apresentar melhora nos próximos meses, com expectativa de crescimento entre 3% e 4% no próximo quadrimestre.

Representantes do setor empresarial de Ubá destacaram que a recuperação ainda é lenta e depende de medidas de apoio financeiro, recomposição de estoques e retomada gradual da atividade econômica. A cidade também registrou uma das maiores quedas de faturamento do varejo durante o período crítico das enchentes, com retração de 37,3%, segundo dados da Cielo divulgados em março.

Eron Vieira, proprietário do Vieirão Supermercado, em Ubá, disse ao Diário do Comércio que a unidade localizada na região central ficou fechada durante 33 dias para reparos após sofrer danos provocados pela inundação.

Mesmo após a reabertura, o estabelecimento ainda opera abaixo do ritmo anterior à tragédia. “Nosso movimento ainda não voltou ao normal. Antes das enchentes atendíamos uma média de 2 mil clientes por dia. Hoje esse número caiu para cerca de 1.100, queda de 45%”, afirmou.

Para Vieira, a ampla mobilização de doações que garantiu assistência às famílias atingidas também ajuda a explicar a retração observada no setor supermercadista. Embora reconheça a importância do apoio humanitário durante o período mais crítico da crise, ele avalia que a distribuição de alimentos e itens básicos teve reflexos temporários sobre o consumo nos estabelecimentos comerciais da região.

O cenário evidencia que os impactos de eventos climáticos extremos vão muito além dos danos imediatos à infraestrutura urbana. Mesmo após a redução das águas e a retomada das atividades, municípios como Ubá continuam enfrentando desafios para recuperar empregos, renda e o dinamismo econômico perdido durante a tragédia.

Especialistas apontam que a experiência da Zona da Mata reforça a necessidade de investimentos permanentes em adaptação climática, prevenção de desastres e fortalecimento da resiliência econômica das cidades, para reduzir os efeitos de eventos extremos cada vez mais frequentes.

O presidente-executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, disse ao jornal mineiro que que a Zona da Mata é tradicionalmente uma das regiões que apresentam os maiores crescimentos nas pesquisas da associação.

“Ela abriga um segmento supermercadista forte, diversificado e desenvolvido. Na nossa avaliação, o desempenho menor no acumulado do quadrimestre está relacionado, principalmente, aos impactos das fortes chuvas no início do ano, especialmente nos resultados de fevereiro”, diz.

Segundo Nametala, uma tragédia como a vivida pela Zona da Mata, a maior já registrada na região, afeta toda a economia, compromete a logística e o funcionamento do sistema de abastecimento e, naturalmente, impacta também os supermercados.

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