Investir em adaptação às mudanças climáticas não é apenas uma medida de proteção ambiental, mas também um excelente negócio econômico. Um estudo divulgado pelo WRI Brasil mostra que cada dólar aplicado em ações de adaptação climática pode gerar mais de US$ 10,50 em benefícios ao longo de dez anos.
A pesquisa analisou 320 projetos de adaptação e resiliência em 12 países, incluindo iniciativas nas áreas de saúde, agricultura, infraestrutura e gestão da água. Somados, os investimentos avaliados ultrapassam US$ 133 bilhões e podem gerar cerca de US$ 1,4 trilhão em benefícios na próxima década.
Segundo o relatório, os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos. Apenas em 2024, o mundo registrou 58 desastres climáticos com prejuízos superiores a US$ 1 bilhão cada. Apesar disso, o financiamento global para adaptação ainda está muito abaixo do necessário. O déficit anual pode chegar a US$ 359 bilhões.
Os pesquisadores destacam que a adaptação costuma ser vista apenas como um gasto para evitar perdas futuras. No entanto, o estudo mostra que essas ações também impulsionam o desenvolvimento econômico, melhoram a saúde pública, geram empregos e valorizam territórios urbanos e rurais.
“O déficit de financiamento para adaptação não é apenas uma lacuna – é uma oportunidade desperdiçada”, afirma o relatório do WRI.
Projetos trazem ganhos econômicos e sociais
Entre os exemplos analisados está o projeto de Desenvolvimento Urbano Sustentável de Fortaleza, que restaurou áreas alagadiças no Parque Rachel de Queiroz para absorção da água da chuva e prevenção de enchentes. A iniciativa também revitalizou áreas verdes e criou novos espaços públicos, contribuindo para melhorar a qualidade de vida e aumentar a resiliência urbana.
Outro destaque foi o investimento em sistemas de alerta precoce em Bangladesh, que ajudou agricultores a reduzir perdas provocadas por enchentes, secas e tempestades. O estudo aponta que projetos de gestão de risco de desastres apresentam retorno médio de 36%.
Na área da saúde, os retornos foram ainda maiores. Projetos voltados para fortalecer sistemas de saúde resilientes tiveram média de retorno superior a 78%, especialmente em regiões vulneráveis a secas e eventos extremos.
Adaptação também ajuda a reduzir emissões
O levantamento mostra ainda que quase metade dos projetos analisados também contribuíram para reduzir emissões de gases de efeito estufa. Isso reforça que adaptação e mitigação climática podem caminhar juntas, ao contrário da visão de que disputam os mesmos recursos financeiros.
Segundo o WRI, muitos benefícios sequer entram nos cálculos econômicos tradicionais porque são difíceis de mensurar, como melhora na saúde da população, preservação ambiental e fortalecimento das comunidades.
A conclusão dos pesquisadores é que investir em adaptação climática deixou de ser apenas uma necessidade ambiental e passou a representar uma das estratégias mais inteligentes para desenvolvimento econômico e proteção social diante do avanço da crise climática.



