Receba nossas notícias

Recuperação de pastagens degradadas do Cerrado faz produtividade de fazendas no MT dar um salto

Adrian Stanke e família, da Fazenda Laranjal, em Nova Xavantina (MT): aumento de 27% na produtividade de leite. Foto: Elizeo Garcia/TNC Brasil
Adrian Stanke e família, da Fazenda Laranjal, em Nova Xavantina (MT): aumento de 27% na produtividade de leite. Foto: Elizeo Garcia/TNC Brasil

Projeto acompanha 30 produtores no Cerrado e registra aumento na produção de leite e na capacidade das pastagens; iniciativa abrange mais de 40 mil hectares

Recuperar uma pastagem degradada pode permitir ao produtor aumentar a produção sem precisar abrir novas áreas. Resultados de propriedades acompanhadas em Mato Grosso mostram como mudanças no manejo do solo e do rebanho vêm aumentando a produtividade em áreas já utilizadas pela pecuária.

Em Nova Xavantina, uma propriedade dedicada à produção de leite registrou aumento de 27% na produtividade após três anos de recuperação das pastagens e mudanças no manejo do rebanho. Em Ribeirão Cascalheira, outra propriedade elevou a taxa de lotação de 0,8 para 1,17 Unidade Animal por hectare (UA/ha) no mesmo período.

Em uma segunda fazenda de Nova Xavantina, o avanço foi mais rápido: a capacidade passou de 0,4 para 1 UA/ha em um ano de assistência técnica.

Projeto da The Nature Conservancy Brasil e da Agriculture Foundation alcança 30 produtores. Foto TNC

As propriedades fazem parte de um projeto desenvolvido pela The Nature Conservancy Brasil (TNC), em parceria com a AGCO Agriculture Foundation, braço da fabricante de máquinas agrícolas AGCO. A iniciativa acompanha 30 produtores e abrange mais de 40 mil hectares no Cerrado mato-grossense.

Desse total, cerca de 11 mil hectares de pastagens receberam diretamente práticas de manejo sustentável, com assistência técnica especializada. Nas demais áreas, foram realizados diagnósticos e elaboradas recomendações para recuperação da vegetação nativa e adequação ambiental das propriedades.

Produzir mais na mesma área

O trabalho parte de um dos grandes desafios da pecuária brasileira: recuperar áreas que perderam produtividade devido à degradação do solo e das pastagens.

Entre as técnicas adotadas nas propriedades estão o uso de bioinsumos, compostagem e pó de rocha, além de mudanças no manejo das pastagens e dos animais. O projeto também trabalha com integração entre lavoura e pecuária, manejo da água, recuperação da saúde do solo e acompanhamento de indicadores das propriedades.

O objetivo é aumentar a capacidade produtiva das áreas que já estão ocupadas, ao mesmo tempo em que se busca recuperar o solo e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas.

No caso de Ribeirão Cascalheira, por exemplo, a elevação da lotação de 0,8 para 1,17 UA/ha significa que a mesma área de pastagem passou a comportar mais animais depois das mudanças de manejo.

Já na propriedade leiteira da família de Adrian Stanke, em Nova Xavantina, o ganho de 27% na produtividade veio acompanhado da diversificação da renda e de melhor aproveitamento da área disponível.

Cerrado concentra áreas degradadas

A recuperação de pastagens ganhou importância no debate sobre a expansão da produção agropecuária brasileira justamente porque permite aumentar a produtividade sem necessariamente ampliar a área ocupada.

No Cerrado, essa discussão ganha peso adicional pela importância do bioma para a produção agropecuária e, ao mesmo tempo, para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.

Para Julia Mangueira, diretora de Conservação para o Cerrado da TNC Brasil, os resultados mostram a possibilidade de aproximar essas duas agendas.

“O Cerrado tem um papel estratégico para a conservação da biodiversidade aliada à manutenção e aprimoramento da capacidade produtiva”, afirma.

Segundo a organização, o acompanhamento das propriedades não se limita às áreas produtivas. Os produtores também recebem orientação para restauração da vegetação nativa e adequação ambiental.

Conhecimento levado para fora das fazendas

Parte da experiência também está sendo utilizada para capacitar produtores, estudantes e profissionais que atuam no campo.

Uma Unidade Demonstrativa foi instalada na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Nova Xavantina, onde mais de 200 pessoas já participaram de atividades sobre saúde do solo, integração lavoura-pecuária e agricultura regenerativa.

O projeto realizou ainda quatro dias de campo para apresentar técnicas e resultados observados nas propriedades. Quinze profissionais recém-formados participaram das atividades de assistência técnica.

Segundo Marcelo Traldi, gerente-geral da AGCO, a experiência indica que conhecimento técnico e planejamento podem contribuir simultaneamente para a recuperação de áreas degradadas e para a produtividade.

PUBLICIDADE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE