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Poeira das obras de reconstrução já afeta saúde respiratória da população em meio a estiagem

Poeira de obra é ainda mais danosa à população. Foto Washington Alves/Light Press
Poeira de obra é ainda mais danosa à população. Foto Washington Alves/Light Press

Estiagem e intervenções em diferentes pontos da cidade aumentam presença de poeira; Prefeitura altera rotina de limpeza e anuncia mutirões semanais

As obras de reconstrução em andamento em Ubá, somadas ao período de estiagem e à circulação de veículos em trechos ainda sem pavimentação, trouxeram um novo problema para moradores e comerciantes: a poeira que se espalha pelas vias e chega a casas e estabelecimentos localizados no entorno das intervenções.

A situação é relatada principalmente em áreas que concentram obras decorrentes das enchentes de fevereiro. Na Avenida Beira-Rio, onde diferentes intervenções estão sendo executadas, moradores reclamam da presença constante de poeira e dos efeitos sobre a rotina.

Luiz Oliveira, morador da Beira-Rio, afirma que o problema atinge também vizinhos e estabelecimentos comerciais da região. Segundo ele, o trânsito intenso contribui para levantar o material depositado na via.

“Não sou só eu. Meus vizinhos e o Márcios Frios, que é um comércio de produtos alimentícios, estamos sofrendo com esse transtorno das obras por conta dessa poeira. Precisamos muito de providências”, relata.

Oliveira conta que já tinha rinite, mas percebeu uma piora durante o período das obras e precisou procurar atendimento médico fora de Ubá.

“Eu já tenho rinite há um tempo e, devido a essa poeira, agravou. Tive que procurar um médico em Juiz de Fora. Estou fazendo tratamento e está melhorando, mas com essa poeira deu uma agravada boa”, afirma.

Da enchente à poeira: impactos do desastre continuam

O problema mostra como as consequências de um desastre climático podem se prolongar muito além do período das chuvas. A enchente de fevereiro destruiu estruturas e danificou vias, pontes e margens de rios. Meses depois, a reconstrução exige movimentação de terra, escavações e circulação de máquinas e caminhões. Em meio à estiagem, a poeira produzida e depositada nas vias encontra condições favoráveis para permanecer e voltar ao ar.

A relação entre o desastre e seus efeitos sobre a saúde já havia sido objeto de alerta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) logo após as chuvas extremas na Zona da Mata. Nota técnica do Observatório de Clima e Saúde, elaborada com colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), analisou as consequências das inundações e deslizamentos em municípios como Ubá e Juiz de Fora e alertou para impactos que permanecem depois da fase emergencial, incluindo riscos à saúde da população.

Agora, a poeira das obras acrescenta outro componente a esse cenário. O Ministério do Meio Ambiente aponta obras, tráfego e ressuspensão da poeira do solo entre as principais fontes de material particulado inalável, conhecido como MP10. A exposição a partículas suspensas no ar pode provocar ou agravar problemas respiratórios, e partículas mais finas podem atingir regiões profundas do sistema respiratório.

A estiagem contribui para o problema ao manter solo e materiais secos e favorecer sua ressuspensão com a passagem de veículos. O próprio Guia de Mudanças Climáticas e Saúde do Ministério da Saúde relaciona condições de seca e calor à piora da qualidade do ar e identifica pessoas com doenças respiratórias preexistentes, idosos e crianças entre os grupos mais suscetíveis à poluição atmosférica.

Em Ubá, não há dados apresentados até o momento que permitam determinar a concentração ou a composição das partículas presentes nas áreas das obras. Por isso, não é possível medir, apenas pela poeira visível, o grau de exposição da população. O relato dos moradores, no entanto, levou a Prefeitura a reconhecer o problema e mudar o planejamento da limpeza urbana.

Prefeitura muda planejamento da limpeza

Procurado pelo Portal Reconstruções, o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Ubá, Salomão Curi, afirmou que a geração de poeira faz parte das intervenções, mas reconheceu que a estiagem ampliou o problema.

“Todas as obras geram um tipo de poeira, particulados. Isso é inevitável. Agora a gente tem que amenizar. No período de estiagem, a poeira ganha uma outra dimensão”, afirmou.

Segundo o secretário, a Prefeitura decidiu alterar o planejamento da limpeza urbana. O cronograma regular será mantido de segunda a quinta-feira e, às sextas-feiras, equipes e equipamentos da Secretaria e da empresa terceirizada responsável pela limpeza serão concentrados nas regiões mais afetadas.

“Nós vamos seguir rigorosamente o planejamento segunda, terça, quarta e quinta e, na sexta-feira, vamos acumular toda a energia da Secretaria e da empresa terceirizada de limpeza urbana no centro da cidade para fazer exatamente esse rescaldo, essa retirada desse material”, explicou.

Nesta sexta-feira (7), segundo Curi, uma equipe foi deslocada para a Avenida Beira-Rio, com caminhão-pipa para lavagem da via. Outras atuaram na Rua Padre Gailhac, Avenida dos Andradas, Rua Olegário Maciel e Rua Tenente Pedro Batalha.

“Vamos fazer esse mutirão toda sexta-feira até que possamos voltar ao normal. Nós também estamos bem preocupados com essa questão da poeira”, disse o secretário.

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