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De Paris a Bogotá: como sensores, ônibus elétricos e zonas de baixa emissão estão transformando cidades

Área verde em comunidade de Bogotá. Foto: Divulgação
Área verde em comunidade de Bogotá. Foto: Divulgação

O sucesso de iniciativas que combinaram monitoramento da qualidade do ar, transporte limpo e restrições a veículos poluentes levou a Bloomberg Philanthropies a anunciar nesta terça-feira (23), durante a London Climate Action Week, um novo investimento de US$ 45 milhões para expandir a rede internacional Breathe Cities. O programa reúne cidades que utilizam dados ambientais para orientar políticas públicas voltadas à redução da poluição atmosférica e à melhoria da saúde da população.

O novo aporte será destinado à ampliação das ações já desenvolvidas pela iniciativa e à incorporação de duas novas cidades: Madri, na Espanha, e Adis Abeba, na Etiópia. Com isso, a rede passa a contar com 16 municípios distribuídos por cinco continentes, entre eles Rio de Janeiro, Paris, Londres, Bogotá, Cidade do México e Jacarta.

Criada em 2023 pela Bloomberg Philanthropies em parceria com o Clean Air Fund e a rede global C40 Cities, a Breathe Cities surgiu para ajudar prefeitos a transformar informações sobre qualidade do ar em intervenções concretas no espaço urbano. Desde então, quase 1.200 sensores foram instalados nas cidades participantes e 26 políticas públicas voltadas ao combate à poluição foram implementadas.

Os resultados ajudaram a justificar a expansão do programa. Segundo os dados divulgados nesta semana, as cidades participantes registraram redução média de 14% nos níveis de dióxido de nitrogênio (NO₂), um dos poluentes mais associados a doenças respiratórias e cardiovasculares.

“Por meio da Breathe Cities, as lideranças locais continuam na vanguarda da despoluição do ar. Cada passo à frente ajuda a salvar vidas, melhorar a saúde pública e reduzir as emissões, enquanto torna as cidades lugares melhores para se viver e trabalhar”, afirmou Michael Bloomberg, fundador da Bloomberg Philanthropies e enviado especial da ONU para Ambição e Soluções Climáticas. Segundo ele, o novo investimento busca ampliar para mais cidades os resultados já alcançados pelos municípios participantes.

Na prática, os recursos financiam a instalação de sensores, a produção de diagnósticos detalhados sobre fontes de poluição, assistência técnica e a implementação de medidas como zonas de baixa emissão, eletrificação do transporte público e restrições ao tráfego em áreas críticas.

Paris é um dos exemplos mais citados pela iniciativa. Com base em dados coletados por sensores, a cidade restringiu o tráfego em 300 ruas e iniciou a retirada gradual dos veículos mais poluentes. Em Londres, informações geradas por mais de 330 sensores ajudaram a consolidar a maior Zona de Ultrabaixa Emissão do mundo e a implantação de restrições em mais de 500 ruas escolares.

Outra frente importante é a mobilidade. Atualmente, mais de 7.500 ônibus elétricos operam nas cidades participantes da rede. Em Bogotá, uma das referências mundiais no setor, mais de 1.500 veículos de emissão zero realizam cerca de 600 mil viagens diárias.

“A poluição do ar prejudica nossa saúde desde antes do nosso primeiro suspiro até o último, e cada criança merece crescer respirando ar limpo”, afirmou Cecilia Vaca Jones, diretora executiva da Breathe Cities. Segundo ela, a expansão da iniciativa permitirá levar ferramentas de monitoramento e planejamento para mais comunidades ao redor do mundo.

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